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Centrão: A nova força política

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O centrão é um bloco de partidos que não se posiciona necessariamente no meio exato do jogo político entre esquerda e direita. O centrão trabalha com uma variabilidade de ideias, flutuando entre o progressismo e o conservadorismo, de acordo com o tema, e principalmente a opinião pública.

Os integrantes do centrão são: PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, Solidariedade, PHS, Pros, PSL, PTN, PEN e PTdoB. Esta sopa de letras ganhou notoriedade com a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, e de maneira inversa ao seu incentivador, cresceu com o passar do tempo.

Cunha deu origem ao “blocão” como forma de pressionar a presidente Dilma em março de 2014. O descontentamento desses partidos, tratados como nanicos pela presidente, foi o ponto comum que fez com que se pudesse fazer um enfrentamento ao governo.

Com o passar dos dias, o centrão mostrou a sua insatisfação com Dilma e foi fundamental no impeachment. No governo do novo presidente, Michel Temer, o centrão conseguiu o respeito que buscava, e conseguiu chamar a atenção, gerando até mesmo um receio por parte do governo.

Michel Temer indicou André Moura (PSC-SE) para a liderança do Governo, demostrando respeito e um afago para o grupo. Afinal, foi a escolha de um parlamentar de um partido quase inexpressivo em detrimento de figuras de legendas que têm mais de 30 deputados, como o PSDB.

Nas eleições…

No campo eleitoral, a falta de uma ideologia fixa, como ocorre com partidos da direita brasileira (DEM, PSDB) e da esquerda (PSOL, PT, PCdoB, PDT e REDE), faz com que os partidos do centrão se assemelhem mais com o eleitor brasileiro apartidário.

Esse tipo de eleitor não tem uma identificação ideológica partidária, no entanto acredita que o estado deve prover saúde, educação e segurança; não quer impostos altos e quer preços baixos por uma livre concorrência. Tendo o conhecimento desse perfil de eleitor, esses partidos investem em candidatos que falem a língua do eleitor, e busquem agradar a esses interesses.

O brasileiro passou por um momento de repulsa aos partidos políticos de esquerda, devido aos casos de corrupção e a rejeição ao governo Dilma. Por causa disso, muitos eleitores, que não eram militantes, migraram dos partidos de esquerda para os partidos do centrão.

Essa mudança pode ser percebida ao se analisarem os números das eleições municipais de 2012 e 2016. Os partidos do centrão conquistaram em 2012, 1.778 prefeituras, e subiram esse número para 2.015 prefeituras nas eleições de 2016.

A comprovação da “transferência de representatividade municipal” dos partidos de esquerda para o Centrão, tem outra prova ao se analisarem os números dos partidos de esquerda. Em 2012 os partidos de esquerda tinham 986 prefeituras, e esse número caiu, em 2016, para 677.

Os partidos de direita tentaram e se aproveitaram da onda anti-esquerda, mas não conquistaram tanto o eleitor brasileiro quanto o centrão. Os partidos de direita tinham 962 prefeituras em 2012, e conquistaram 1056 nas últimas eleições municipais.

O PMDB, que não se encaixa no grupo do centrão, nem a esquerda e nem a direita, não sofreu tantas alterações, nem com o impacto negativo do governo de esquerda no país, nem com a subida do Centrão. Em 2012, obteve 1015 prefeituras, e em 2016 conquistou 1027.

O próximo passo no crescimento do Centrão são as eleições de 2018, no entanto, a enorme quantidade de siglas que compõe o grupo pode fragmentar o foco dos votos e fazer com que a verdadeira força do bloco apareça.

 

 

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