outros-temas

S.O.S. Ciência

Imprimir

O título desse artigo é um apelo feito pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, em evento recente celebrando a Semana Mundial do Meio Ambiente que foi promovido pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PPMC) realizado no Museu do Amanhã no Rio de Janeiro.

Sistema de Ciência e Tecnologia

A estruturação do Sistema de Ciência e Tecnologia no Brasil foi iniciada na década de 50 do século passado com a criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na década de 60 em parceria com a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Ensino Superior) foi montada as bases para a formação de recursos humanos (mestres e doutores). A pós-graduação apresentou uma grande expansão na última década. Um estudo conduzido pelo Centro de Estudos e Estudos Estratégicos (CGEE) mostrou que em 1966 formaram-se 10.482 mestres no Brasil. Em 2014 esse número foi de 50.206. Em 1966 formaram-se 2.854 doutores subindo para 16.729 doutores em 2014. Assim, construímos uma considerável base de recursos humanos, que é o primeiro passo para construirmos um sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação para colocarmos o Brasil em posição de destaque no século XXI que é considerada a Era do Conhecimento.

Retração nos investimentos em Ciência

No entanto testemunhamos um retrocesso no desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. Recentemente o ministério dedicado a Ciência, Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) foi unido ao setor de comunicação acrescentando um “C” em sua sigla: MCTIC. Ao contrário do esperado o orçamento do Ministério não aumentou. Agravando a situação em março de 2017, foi anunciado o corte de 44% na pasta.

A redução de investimentos alcançou também as Fundações Estaduais de fomento à pesquisa. No Rio de Janeiro a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), em levantamento feito pelo jornalista Herton Escobar, o calote – financiamento de projetos e bolsas de estudos – alcança o valor de 470 milhões. Essa situação está interrompendo as atividades de pesquisas, principalmente nas Universidades estaduais: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

Poderíamos analisar a presente situação como excepcional e passageira. Parece não ser o caso. O que nos espera com decisões equivocadas do executivo e legislativo é um forte recuo no aporte de verbas federais para os próximos 20 anos. O retrocesso então ganhará mais velocidade. Todo o esforço de formação de recursos humano irá por água abaixo e nossos melhores cérebros deixarão o país.

O futuro

A verdade é que esta estratégia de fragilização do nossos sistema nacional de ciência e tecnologia terá implicações graves para o desenvolvimento econômico brasileiro. O ideário de que o investimento em Ciência e Tecnologia tem um valor estratégico para o Brasil será enfraquecido. Esse desmonte do aparato estatal de fomento científico deve ser interrompido e revertido. A burocracia para a aquisição de insumos e instrumentação científica deve ser simplificada e projetos de parceria com o setor privado devem ser estimulados para obtenção de novas patentes e produtos. A pesquisa que visa a solução de problemas da sociedade deve ser valorizada.

Transcrevo parte do artigo de Sidarta Ribeiro – “Ciência em retrocesso”, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte: “O que está em jogo é o destino da nação. O pior não será seguirmos sem ganhar o Nobel nem deixarmos de competir pelas descobertas mais importantes. Nossa soberania ficará profundamente comprometida quando nossos cientistas não conseguirem compreender os artigos que leem, quando nos descolarmos tanto da fronteira da ciência mundial que passaremos a mistificá-la, voltando a pagar caro pelos pacotes tecnológicos fechados que vêm do exterior. Sem uma guinada radical, rumamos céleres para a irrelevância. Mas ainda há esperança.”

No entanto para cultivarmos a esperança não podemos ficar calados ou acomodados. Vamos fazer eco as palavras “SOS Ciência” e ajudar a reverter esse mal momento e lembrar das palavras de Aristóteles: “A esperança é o sonho do homem acordado”.

Loading Facebook Comments ...

Artigos relacionados

Série eleições 2018: horário eleitoral, propaganda e marketing


Neste artigo vamos tratar de como bem utilizar o horário eleitoral gratuito, mediante o uso do rádio e da TV, e como potencializar a propaganda e o marketing da campanha, iniciando com conceitos e dicas sobre o emprego dessas ferramentas na campanha eleitoral.   Os programas de rádio e TV podem se constituir em uma importante fonte de votos. Os candidatos devem aproveitar bem esses meios e utilizar linguagem adequada para cada veículo. É fundamental a presença de um profissional ou agência que oriente na forma e no conteúdo dos programas. Para os candidatos com dificuldades de comunicação, além da presença do profissional na produção dos programas, recomenda-se um rápido treinamento com técnicas que irão ajudá-los na gravação dos programas, entrevistas, debates, nas salas em público e em comícios.   No rádio, a linguagem deve ser coloquial e repetitiva. É importante tratar apenas de um assunto de cada vez e associar o tema à sua imagem. Um bom jingle ajuda o eleitor a lembrar-se do candidato, de seu número e de suas bandeiras de campanha. O candidato deve procurar transmitir confiança e esperança.   Na televisão, além do conteúdo de sua fala, que deve conter frases curtas e na ordem direta, o candidato deve preocupar-se também com os gestos, expressões faciais e aparência. É importante não fazer gestos bruscos nem ser agressivo. A indignação deve ser expressada com toda a emoção possível, preferencialmente acompanhada de gestos e entonação da voz.   No curso da campanha não basta produzir bem os programas do candidato, é preciso também acompanhar e gravar os programas dos adversários. Isso possibilita solicitação do direito de resposta sempre que o candidato for atingido, mesmo que de forma indireta, com afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou inverídica.   Já o trabalho de Marketing, conceituado como um conjunto de técnicas […]

Ler mais

Série Eleições 2018: planejamento da campanha


O êxito de uma campanha eleitoral, qualquer que seja o porte do Estado, depende em boa parte de um bom planejamento. Planejar significa avaliar possibilidades, dimensionar os recursos e estabelecer metas.

Ler mais

Previdência complementar: prazo de migração acaba em julho de 2018


O servidor público que ingressou nos poderes Executivo e Legislativo Federal antes de 07 de maio de 2013, respectivamente, com ou sem direito à integralidade e paridade, tem até o dia 29 de julho de 2018 para decidir se deve ou não migrar para a previdência complementar, que é quando vence o prazo de adesão previsto no art. 92 da Lei 13.328/16. Muitas entidades sindicais já fizeram o dever de casa e produziram estudos – considerando o perfil dos servidores por elas representados – mostrando as vantagens e desvantagens ou os riscos e as oportunidade de eventual migração nesse período. Mas a maioria, por variadas razões, que vão desde questões ideológicas até omissão, ainda não prestou os devidos esclarecimentos aos servidores, para que estes decidam com segurança sobre a conveniência de migrar ou não para a previdência complementar. O servidor que tenha incertezas quanto ao alcance de uma nova reforma da previdência – já que não existe dúvidas que virão mudanças nas regras de concessão de aposentadoria nos regimes próprio e geral – e que não tomar a decisão dentro desse prazo legal, ficará permanentemente vinculado ao regime próprio e, portanto, sujeito às futuras mudanças previdenciárias, inclusive em relação ao tempo que contribuiu sobre a totalidade da remuneração. Um das motivações de quem já migrou foi o fato de que o tempo que contribuiu sobre a totalidade, segundo a lei em vigor, ficaria preservado e seria pago pela União, em forma de benefício especial e em valor proporcional ao tempo que contribuiu sobre a totalidade, constituindo-se em ato jurídico perfeito e, supostamente, protegido pelo direito adquirido. Esse benefício especial, no momento da aposentadoria, se somaria ao teto do regime geral – em valor de maio de 2018 fixado em R$ 5.645,80 – e ao que o servidor viesse a acumular […]

Ler mais

O mercado prefere Alckmin, mas ‘comprou’ Bolsonaro


Sondagem da XP Investimentos com 204 investidores institucionais mostra que o ex-capitão Jair Bolsonaro superou o ex-governador Geraldo Alckmin na corrida sucessória. Quem convive com os tubarões do mercado, como o InfoMoney, braço editorial da XP Investimentos, interpretou o resultado da seguinte forma: o arrivista boquirroto deixou de ser surpresa. http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/7462345/tubaroes-mercado-dao-favoritismo-bolsonaro-projetam-segundo-turno-contra-ciro “O mercado comprou Bolsonaro”, disse um desses observadores, acostumado à visão pragmática de quem só pensa em amealhar mais e mais moeda. Para essa turba – que não é ignara, senão dinheiro farto não teria -, não interessa quem é o dono da bola, desde que a deixe jogar. Preocupação máxima Para quem não leu a sondagem, eis a síntese. Bolsonaro saltou de 29%, em abril, para 48%, em junho, na expectativa de quem será o vencedor do pleito presidencial de outubro próximo. Geraldo Alckmin, o preferido dos tubarões, caiu de 48% para 31%. Atente-se que estes percentuais não tratam de preferência, mas de prognóstico. Igualmente relevante, a avaliação para o segundo turno. Nada menos do que 85% dos tubarões acreditam que o candidato do PSL estará no segundo turno. E “se você tivesse que ficar comprado em ativos brasileiros, quão preocupado com eleições você estaria”, quis saber a XP. 51% estão muito preocupados, 35% preocupados. A preocupação, depreende-se das tabelas divulgadas, é pela vitória eventual de Fernando Haddad e Ciro Gomes. Duas perguntas exprimem a preferência dos rentistas pelo ex-governador de São Paulo. “Para onde vai a bolsa nas próximas semanas/meses se _________ ganhar?” é uma delas. A outra apenas substitui “bolsa” por “câmbio”. Nos dois casos, o nome de Alckmin é o que remonta ao cenário pós-eleitoral mais otimista. Bolsa em alta, dólar em queda. Bolsonaro vem aí. Se vai ganhar, nem o oráculo mercado é capaz de prever. Relacionado

Ler mais