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Como desarmar uma crise

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A saída espalhafatosa de um ministro, numa área que já deu dor de cabeça ao presidente, era crise que Michel Temer não precisava agora. O episódio da queda do ministro da Cultura, Marcelo Calero, depois de choque frontal com o secretário de Governo, Geddel Vieira Lima, é pleno de erros. Primeiro: ainda que tenha boas justificativas, Geddel deveria ter refreado seus ímpetos. Segundo: Calero deveria ter comunicado imediatamente o que se passava a Temer.

Sair atirando é um conhecido recurso para conseguir boa repercussão junto à opinião pública, especialmente a área cultural, com a qual chocou-se ao entrar no governo. No Itamaraty, a saída barulhenta do ministro gerou mal-estar. Faltou gerenciamento estratégico para a crise. Impulsos de ambos deveriam ter sido administrados. A rapidez com que os fatos se consumaram sugere que Calero estava atrás de um bom motivo para ir embora.

Os problemas não terminam aí. Nesta segunda-feira, a Comissão de Ética da Presidência entrará no assunto para analisar sua dimensão. Além disso, a imprensa ganhou uma pauta de presente. Irá investigar quem está falando a verdade. E num clima de caça a supostos corruptores no qual se vive, é difícil produzir explicações convincentes.

Ou seja, o governo foi surpreendido por um problema incômodo com o qual mesmo experts em comunicação têm dificuldades de lidar. Há quem pense que Geddel comprou um mico dos mais escandalosos, repassado aos cuidados de Temer, numa hora ingrata. Um desafio para especialistas tipo MacGyver em desarmar bombas.

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