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A conquista de Janot e a volta de Aécio

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A previdência micou I. Duas consequências principais emergem da denúncia do dono da JBS, Joesley Batista. Corruptor confesso, o magarefe de Goiás livrou-se de qualquer punição graças ao beneplácito do procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot – que não é juiz, mas absolveu o empresário que confessou pagar propina a agentes públicos e enricou graças aos recursos públicos que o governo (PT à frente) transferiu à JBS.

A previdência micou II. Urdida com inaudita rapidez, a denúncia contra Temer serviu, de fato, para mandar a reforma da previdência pro beleléu. Michel Temer gastou quase todo seu cacife político para se manter na Presidência da República – e explicar a inexplicável conversa com o açougueiro goiano. Assim, esgotaram-se lhe as forças para fazer avançar a reforma.

A previdência micou III. Ou seja, Janot mirou no presidente e acertou na reforma. A PGR não terá problemas internos por conta disso. Afinal, procuradores e promotores – no topo da folha do funcionalismo, a maioria acima do teto salarial – fazem oposição à reforma da previdência.

A previdência micou IV. Pela proposta inicialmente concebida por Temer, todos os brasileiros teriam os mesmos direitos, bem diferente do que acontece hoje. Quer dizer, quem quisesse aposentadoria mais vantajosa que bancasse com seus próprios recursos. Sem a reforma, a casta de servidores – juízes e procuradores no topo – prosseguirá com regalias inalcançáveis aos trabalhadores.

A previdência micou V. O petardo do dono da JBS provocou, ainda, o esfacelamento do PSDB. O acirramento da divisão interna entre os tucanos tem consequências diretas na sucessão presidencial, pois provoca ondas que reverberam nas outras siglas, ampliando o (des)arranjo partidário em marcha.

Farinha do mesmo saco I. Por falar em PSDB, o senador Aécio Neves pode reassumir a presidência da legenda, da qual se afastou diante dos escândalos revelados pelo mesmo magarefe. Seria uma forma de esconjurar os arroubos parlamentaristas do colega Tasso Jereissati, senador que ora comanda o partido.

Farinha do mesmo saco II. O retorno, se confirmado, aproximará um pouco mais o PSDB de seu irmão siamês, o PT. As duas siglas teriam no comando senadores enrolados com a Lava-Jato. Sem contar o PMDB, cujo presidente, senador Romero Jucá, é velho conhecido do Ministério Público.

Farinha do mesmo saco III. A eleição como presidente da legenda de uma senadora denunciada por corrupção (Gleisi Hoffmann) é a ilustração mais evidente de que o PT não está empenhado em redimir sua reputação. Que só existe, aliás, para os seguidores obliterados pela fé cega de que a sigla é a única que detém o caminho para a redenção dos trabalhadores. A decadência do partido que um dia representou a esperança da política exercida com ética e por princípios sinaliza que o PT não se arrepende dos malfeitos.

Farinha do mesmo saco IV. Enfim, com três senadores denunciados por corrupção a chefiar suas legendas, PMDB-PT-PSDB formam uma irmandade que seria apenas patética, caso o Brasil não estivesse há tanto tempo nas mãos das três. (Observação: o “patética” não é uma referência velada aos Três Patetas (Three Stooges); eles eram engraçados.)

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