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Datafolha: desaprovação ao governo Temer atinge 61%

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A desaprovação (“ruim”/“péssimo”) do governo Michel Temer cresceu dez pontos percentuais em relação a dezembro de 2016 e chegou aos 61%. Segundo pesquisa do Datafolha, o índice negativo de Temer é similar à taxa de impopularidade apresentada pela ex-presidente Dilma Rousseff em abril do ano passado (63%), às vésperas da abertura do processo de impeachment.

Embora a aprovação do governo Temer tenha oscilado negativamente um ponto, o índice positivo caiu cinco pontos quando comparado ao resultado de julho de 2016.

O resultado adverso para o presidente Michel Temer captado pelo Datafolha pode ser atribuído aos seguintes fatores:

  1. as denúncias de corrupção contra importantes políticos e ministros, reveladas por ex-executivos da Odebrecht em delação premiada no âmbito da Operação Lava-Jato e amplamente divulgadas pelos meios de comunicação nas últimas semanas;
  2. a agenda de reformas impopulares (Previdência e Trabalhista) que está sendo liderada pelo governo e votada no Congresso e Senado;
  3. ausência de percepção no dia a dia da melhoria na economia apontada por indicadores, principalmente devido ao elevado nível de desemprego.

A pesquisa não captou o impacto da greve geral realizada na última sexta-feira (28), quando houve manifestações contra as reformas previdenciária e trabalhista em mais de 100 cidades.

Apesar da impopularidade, agenda avança

Apesar da baixa popularidade e do clima social adverso, o governo de Michel Temer não recuará na agenda de reformas. No entanto, devido à insatisfação da opinião pública, o custo político de aprovar mudanças na Previdência e na legislação trabalhista ficou mais elevado. Assim, novas alterações nesses dois importantes projetos, principalmente no texto da Reforma Previdenciária, não devem ser descartados. A apreciação da reforma trabalhista em três comissões especiais do Senado apontam que os Senadores têm intenção de fazer alterações na proposta.

Como Temer tem maioria no Congresso e vem conquistando importantes vitórias no Legislativo, a tendência é que consiga aprovar as reformas. O paradoxo é que, ao avançar nessa agenda, o presidente deve continuar com baixa popularidade.

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