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Domingo Alzugaray

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O mundo editorial tem tipos inesquecíveis. Há pouco um deles nos deixou: Domingo Alzugaray, fundador da IstoÉ. Argentino de origem basca, veio para o Brasil para trabalhar com os Civita.

Participou do projeto de criação a revista Veja e chegou a diretor comercial da Editora Abril. E, um belo dia, foi atrás de seu sonho, que era ter sua própria editora. Fazer e vender revistas no Brasil é um trabalho insano, tarefa para sonhadores. Domingo transformou seu sonho em realidade.

Fundou a Editora Três e conseguiu prosperar num país que lê pouco, anuncia menos do que deveria na imprensa escrita e cobra os maiores juros do mundo para financiar a atividade privada. Com a IstoÉ, que fundou e, posteriormente,  transformou em revista semanal, ele obteve imenso sucesso.

No período que se seguiu à fundação da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), da qual participei como diretor executivo, estive muitas vezes com Domingo Alzugaray, um dos fundadores da entidade. Tinha uma personalidade marcante, era alto-astral, muito querido pela seus companheiros de editora  e se orgulhava de ser sagitariano.

Tanto na ANER quanto como editor, Alzugaray sempre foi ativo e referência nas muitas lutas travadas pela liberdade de expressão no país. A IstoÉ, ao longo de sua existência, deu inúmeros furos jornalísticos e publicou numerosas matérias de grande impacto na política nacional. Desafiou poderosos e incomodou o establishment político.

Empresarialmente, Alzugaray nunca se acomodou. Mostrou coragem mesmo enfrentando a competição com a Veja, uma das melhores revistas semanais do mundo, e a Exame. Ganhou e perdeu batalhas, mas nunca fugiu do bom combate.

Elaborei na Editora Três, junto com David Fleischer, o Perfil Parlamentar Brasileiro, que trazia os minicurrículos de todos os deputados federais e senadores eleitos em 1990 e saía encartado na IstoÉ. Foi um sucesso. Depois o Perfil foi encadernado e se transformou em livro. Foi referência para quem queria saber sobre os parlamentares eleitos na época.  Domingo foi um entusiasmado apoiador da iniciativa.

Enfim, Domingo Alzugaray foi um dos empreendedores da mídia que deixou uma marca importante no país.  E, talvez, o último nome de uma linhagem que inclui Victor e Roberto Civita, Roberto Marinho, Adolfo Bloch, Mauricio Sirotsky, Alfredo e Sergio Machado, entre alguns outros. Que seu exemplo de ousadia e tenacidade seja lembrado e seguido por muitos outros.

Blog do Noblat – 27/07/2017

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