outros-temas

Educar ou deseducar: eis a questão.

Imprimir

Educar no sentido mais amplo é capacitar o ser humano para um convívio social harmonioso. Em outras palavras é desenvolver e aperfeiçoar as competências físicas, intelectuais e morais, preparando o cidadão para a vida. O processo educacional é baseado em 3 pilares: a família, a escola e a mídia.

A família

Uma família bem estruturada é fundamental no que se refere à formação das crianças e jovens como futuros membros de uma sociedade. Antigamente, a família se alimentava em uma mesa conversando sobre os acontecimentos do dia. Os pais se interessavam pela rotina dos filhos e acompanhavam o seu desenvolvimento.

Esse convívio virtuoso foi desaparecendo ao longo do tempo, como a luz que desaparece ao anoitecer. Hoje pais e filhos se isolam. Cada um no seu espaço privado com sua televisão ligada ou dedilhando seu computador, seu tablete ou seu telefone celular.

Gradativamente também cresceu o número de famílias desestruturadas. Nesse cenário são gerados adultos inseguros, carentes de valores, de afeto, sem força para uma atuação positiva na sua própria vida e também no convívio social. As crianças que convivem nessa realidade são incapazes de aprender a amar. Elas merecem uma atenção especial dos educadores pois é na infância que o caráter do ser humano é moldado por meio da promoção de atitudes e hábitos corretos.

Se forem deixadas sem orientação, essas crianças serão estimuladas a serem egoístas e exerceram um papel negativo na convivência social. A família é a primeira escola. Cabe a família o papel de transmitir os valores como a generosidade, a honestidade e outras virtudes. A família deve sempre ser uma parceira da escola.

A escola

O sistema escolar brasileiro, notadamente o ensino básico (primeira infância, infantil, fundamental e médio) é deficiente produzindo um número grande de analfabetos totais e funcionais. Além disso a promoção de virtudes é incipiente. A escola de hoje não é nem deve ser a mesma de há alguns anos. As práticas, as ferramentas e as metodologias são retrógradas. É preciso considerar que o conhecimento hoje é acessível e as informações mais rápidas.

Os estudantes estão cada vez mais autônomos e conectados e as novas tecnologias e as mídias sócias estão revolucionando a forma de ensinar e aprender. Uma escola contemporânea deve ser atrativa onde os estudantes estejam engajados e motivados com professores bem formados, dedicados e valorizados. As novas tecnologias, particularmente os dispositivos móveis e a internet devem ser coadjuvantes do ensino-aprendizagem.

A escola deve ser um cenário permanente onde o pensamento é exercitado e onde os valores e virtudes são consolidados. Ela deve estimular os estudantes para alçarem voos e conquistar seus sonhos. Nesse contexto é pertinente lembrar o pensamento de nosso saudoso Rubem Alves:

“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

A mídia

Nos tempos atuais a mídia tornou-se um instrumento importante no processo educativo. Ela pode contribuir com a formação cidadã por meio de conteúdos que estimulem as ações coletivas virtuosas e comportamentos éticos. Infelizmente no Brasil a grande mídia não é um parceiro positivo no processo educativo pois produzem e exibem conteúdos inadequados que visam uma audiência para obter lucros. Ela cria falsos heróis, estimula o consumo e constrói uma Sociedade do Ter.

No entanto, nem tudo está perdido. Felizmente temos bons exemplos no Brasil de como a boa mídia pode ser parceira da família e da escola construindo uma educação de qualidade. Podemos citar, entre outras: a TV Escola, o canal Futura, a TV Supren, a TV Cultura, as TVs Universitárias e as TVs Comunitárias. A democratização dos meios de comunicação é uma meta prioritária para que esses bons exemplos possam ser ampliados e acessíveis a todos os brasileiros.

Educar x Deseducar

Neste jogo vamos torcer e contribuir para que a Educação vença de goleada. Nesse cenário certamente teremos um governo – executivo, legislativo e judiciário – melhor e avançaremos na democracia. É pertinente lembrar três pensamentos:

“A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.” – John Dewey

“É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humaninade.” – Emmanuel Kant

“A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor.” – Antônio Vieira

Loading Facebook Comments ...

Artigos relacionados

Série eleições 2018: horário eleitoral, propaganda e marketing


Neste artigo vamos tratar de como bem utilizar o horário eleitoral gratuito, mediante o uso do rádio e da TV, e como potencializar a propaganda e o marketing da campanha, iniciando com conceitos e dicas sobre o emprego dessas ferramentas na campanha eleitoral.   Os programas de rádio e TV podem se constituir em uma importante fonte de votos. Os candidatos devem aproveitar bem esses meios e utilizar linguagem adequada para cada veículo. É fundamental a presença de um profissional ou agência que oriente na forma e no conteúdo dos programas. Para os candidatos com dificuldades de comunicação, além da presença do profissional na produção dos programas, recomenda-se um rápido treinamento com técnicas que irão ajudá-los na gravação dos programas, entrevistas, debates, nas salas em público e em comícios.   No rádio, a linguagem deve ser coloquial e repetitiva. É importante tratar apenas de um assunto de cada vez e associar o tema à sua imagem. Um bom jingle ajuda o eleitor a lembrar-se do candidato, de seu número e de suas bandeiras de campanha. O candidato deve procurar transmitir confiança e esperança.   Na televisão, além do conteúdo de sua fala, que deve conter frases curtas e na ordem direta, o candidato deve preocupar-se também com os gestos, expressões faciais e aparência. É importante não fazer gestos bruscos nem ser agressivo. A indignação deve ser expressada com toda a emoção possível, preferencialmente acompanhada de gestos e entonação da voz.   No curso da campanha não basta produzir bem os programas do candidato, é preciso também acompanhar e gravar os programas dos adversários. Isso possibilita solicitação do direito de resposta sempre que o candidato for atingido, mesmo que de forma indireta, com afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou inverídica.   Já o trabalho de Marketing, conceituado como um conjunto de técnicas […]

Ler mais

Série Eleições 2018: planejamento da campanha


O êxito de uma campanha eleitoral, qualquer que seja o porte do Estado, depende em boa parte de um bom planejamento. Planejar significa avaliar possibilidades, dimensionar os recursos e estabelecer metas.

Ler mais

Previdência complementar: prazo de migração acaba em julho de 2018


O servidor público que ingressou nos poderes Executivo e Legislativo Federal antes de 07 de maio de 2013, respectivamente, com ou sem direito à integralidade e paridade, tem até o dia 29 de julho de 2018 para decidir se deve ou não migrar para a previdência complementar, que é quando vence o prazo de adesão previsto no art. 92 da Lei 13.328/16. Muitas entidades sindicais já fizeram o dever de casa e produziram estudos – considerando o perfil dos servidores por elas representados – mostrando as vantagens e desvantagens ou os riscos e as oportunidade de eventual migração nesse período. Mas a maioria, por variadas razões, que vão desde questões ideológicas até omissão, ainda não prestou os devidos esclarecimentos aos servidores, para que estes decidam com segurança sobre a conveniência de migrar ou não para a previdência complementar. O servidor que tenha incertezas quanto ao alcance de uma nova reforma da previdência – já que não existe dúvidas que virão mudanças nas regras de concessão de aposentadoria nos regimes próprio e geral – e que não tomar a decisão dentro desse prazo legal, ficará permanentemente vinculado ao regime próprio e, portanto, sujeito às futuras mudanças previdenciárias, inclusive em relação ao tempo que contribuiu sobre a totalidade da remuneração. Um das motivações de quem já migrou foi o fato de que o tempo que contribuiu sobre a totalidade, segundo a lei em vigor, ficaria preservado e seria pago pela União, em forma de benefício especial e em valor proporcional ao tempo que contribuiu sobre a totalidade, constituindo-se em ato jurídico perfeito e, supostamente, protegido pelo direito adquirido. Esse benefício especial, no momento da aposentadoria, se somaria ao teto do regime geral – em valor de maio de 2018 fixado em R$ 5.645,80 – e ao que o servidor viesse a acumular […]

Ler mais

O mercado prefere Alckmin, mas ‘comprou’ Bolsonaro


Sondagem da XP Investimentos com 204 investidores institucionais mostra que o ex-capitão Jair Bolsonaro superou o ex-governador Geraldo Alckmin na corrida sucessória. Quem convive com os tubarões do mercado, como o InfoMoney, braço editorial da XP Investimentos, interpretou o resultado da seguinte forma: o arrivista boquirroto deixou de ser surpresa. http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/7462345/tubaroes-mercado-dao-favoritismo-bolsonaro-projetam-segundo-turno-contra-ciro “O mercado comprou Bolsonaro”, disse um desses observadores, acostumado à visão pragmática de quem só pensa em amealhar mais e mais moeda. Para essa turba – que não é ignara, senão dinheiro farto não teria -, não interessa quem é o dono da bola, desde que a deixe jogar. Preocupação máxima Para quem não leu a sondagem, eis a síntese. Bolsonaro saltou de 29%, em abril, para 48%, em junho, na expectativa de quem será o vencedor do pleito presidencial de outubro próximo. Geraldo Alckmin, o preferido dos tubarões, caiu de 48% para 31%. Atente-se que estes percentuais não tratam de preferência, mas de prognóstico. Igualmente relevante, a avaliação para o segundo turno. Nada menos do que 85% dos tubarões acreditam que o candidato do PSL estará no segundo turno. E “se você tivesse que ficar comprado em ativos brasileiros, quão preocupado com eleições você estaria”, quis saber a XP. 51% estão muito preocupados, 35% preocupados. A preocupação, depreende-se das tabelas divulgadas, é pela vitória eventual de Fernando Haddad e Ciro Gomes. Duas perguntas exprimem a preferência dos rentistas pelo ex-governador de São Paulo. “Para onde vai a bolsa nas próximas semanas/meses se _________ ganhar?” é uma delas. A outra apenas substitui “bolsa” por “câmbio”. Nos dois casos, o nome de Alckmin é o que remonta ao cenário pós-eleitoral mais otimista. Bolsa em alta, dólar em queda. Bolsonaro vem aí. Se vai ganhar, nem o oráculo mercado é capaz de prever. Relacionado

Ler mais