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Eleições francesas: por que Macron?

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As eleições francesas tiveram seu primeiro turno e em 7 de maio ter-se-á o segundo. Provavelmente Macron será o vitorioso, embora no caso de eleições é sempre bom ser precavido. Resultados inesperados sempre podem ocorrer, como Trump nos Estados Unidos, Brexit na Inglaterra ou o acordo de paz na Colômbia. De toda forma, é justo se perguntar porque Macron, um candidato hors-concours, chegou em primeiro lugar nas eleições francesas de 23 de abril?

Ninguém apostava em Macron no começo da corrida eleitoral. Era ridicularizado: “será esmagado pelas velhas raposas da politica”, diziam comentaristas franceses. Tratava-se de um novato como João Dória, vindo também do meio empresarial, só que no caso do francês, do meio das finanças. Mas, é novo também na idade, 39 anos. Se eleito será o mais novo presidente francês. É um neófito na política, jamais ocupou qualquer cargo público, exceto o de ministro das finanças, por dois anos.

Derrota dos republicanos e socialistas

O resultado eleitoral deixou fora do segundo turno os dois partidos tradicionais da França, os republicanos e os socialistas. Eles dominaram a cena política francesa desde a segunda guerra mundial. Os socialistas estiverem na presidência com François Mitterand, entre 1981 a 1995, 14 anos, pois reeleito, quando o mandato presidencial era de sete anos, e com o atual François Hollande. De resto, dominaram os republicanos. Agora estes ficaram fora do segundo turno pela primeira vez e foram substituídos pela candidata da extrema direita, Marine Le Pen, e os socialistas, ficaram fora pela segunda vez, sendo substituídos pelo novato centrista.

A derrota dos socialistas foi sem igual. Benoît Hamon, candidato do partido socialista, atualmente no poder, chegou em quinto lugar, depois do esquerdista Jean-Luc Mélenchon, o primeiro com 6,35% e o segundo, 19,62%. Sem dúvida a derrota do partido socialista francês é inigualável. Sem comparação com quinze anos atrás quando pela primeira vez no Após Guerra os socialistas ficaram fora do segundo turno.

O candidato do atual governo declarou que os resultados eleitorais foram uma derrota extraordinária da esquerda francesa. Exagero, pois se somarmos os votos depositados em todos os candidatos de esquerda – cinco – tem-se o total de 29% dos votos. Para uma situação em que o Presidente socialista tem um desgaste popular tão grande que decidiu não se candidatar, não é tão mal. Mostra que a esquerda ainda persiste, e tem fôlegos de se recuperar. Talvez não no formato hoje imperante, nem com o seu atual discurso. Mas se souber renovar, tem chances de retornar ao poder.

Mas, por que Macron chegou em primeiro lugar?

Resultados eleitorais nascem sempre da confluência de variáveis, boa parte das quais, independentes. Três candidatos poderiam ter ultrapassado, teoricamente, Macron. O candidato republicano, François Fillon, o do governo, Benoît Hamon e o da esquerda menos tradicional, Jean-Luc Mélenchon. E por que não ocorreu? A candidatura de Hamon já nasceu morta em face da imensa impopularidade de Hollande. A de Fillon morreu nas denúncias de corrupção envolvendo a si e sua esposa. E, finalmente, o crescimento de Jean Luc começou tarde demais. Se Benoît tivesse renunciado em seu favor talvez tivesse chegado ao segundo turno. Se Fillon tivesse renunciado, seu sucessor, Juppé, talvez tivesse chegado ao segundo turno. Porém, nenhuma das alternativas ocorreu.

Ademais, Macron incarna muitas expectativas dos franceses atuais, cansados das politicas socialistas que não tem sucesso, e com receio das declarações fascistas de Le Pen. Os franceses não votaram em uma mudança mais radical, que teria sido o caso de Mélenchon. Preferiram uma renovação segura? Nem tanto. Escolheram o possível. Eleito, Macron é uma incógnita, que só o tempo revelará o que de fato é.

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