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A escolha de Schirmer para o governo Sartori

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Na última sexta-feira (02), o governador do Rio Grande do Sul (RS), José Ivo Sartori (PMDB), anunciou o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), como novo secretário estadual de Segurança Pública.

Schirmer, que renunciará ao cargo de prefeito para assumir a pasta, é muito próximo a Sartori, de quem é amigo pessoal desde os anos 70. Schirmer possui 44 anos de vida pública. Ao longo de sua trajetória política, foi secretário de Estado nos governos Pedro Simon (Casa Civil e Fazenda) e Antonio Britto (Agricultura), além de ter sido deputado estadual e vereador em Santa Maria.

Apesar da experiência política, a escolha de Cezar Schirmer gerou uma repercussão negativa junto aos meios de comunicação, base aliada (o vice-governador José Paulo Cairoli, por exemplo, que tinha assumido o comando da pasta, não foi consultado sobre o nome de Schirmer) e nas corporações da área de segurança por dois motivos:

1) Schirmer não é um especialista no tema da segurança e também não possui o peso político de nomes cogitados anteriormente como alternativas: o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim e o atual secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame;

2) O novo secretário teve imagem fortemente abalada após o incêndio na boate Kiss, no município, em 2013, deixar mais de 200 mortos. Embora não tenha sido responsabilizado civil nem criminalmente pela tragédia, persistem as dúvidas sobre eventuais omissões de seus subordinados no licenciamento da casa noturna. Diante do desgaste causado por tragédia, o PMDB não lançou candidato próprio em Santa Maria nas eleições deste ano, apoiando o ex-deputado estadual Fabiano Pereira (PSB).

A escolha de Cezar Schirmer como novo secretário sinaliza a opção do governador por uma solução política. Mesmo não sendo um especialista na área, Schirmer é um político muito experiente e com capacidade de negociação para gerenciar os interesses das corporações da segurança pública. Portanto, tende a ter capacidade de liderança, em que pese as críticas que vem recebendo.

Politicamente, a escolha de Schirmer também representa uma oportunidade para ele tentar se reerguer, pois um eventual sucesso à frente da Secretaria pode mudar o jogo em seu favor.

Por outro lado, se Cezar Schirmer fracassar, sua imagem pessoal não deve ficar mais arranhada do que já está. Porém, Sartori, que escolheu o prefeito por uma decisão pessoal, assim como o PMDB, serão ainda mais contaminados pela crise na segurança.

Ao escolher uma pessoa de sua confiança para o comando dessa importante pasta, o governador assume ainda mais a responsabilidade da área. Sartori também sinaliza que deseja ter o controle da Segurança, e seu desejo de transformar essa problemática área na prioridade sua gestão até 2018.

Não foi por acaso que além de escolha de Schirmer, Sartori anunciou a antecipação do chamamento de 770 policiais militares e 220 agentes da Polícia Civil, além da retomada da concessão do abono permanência (pagamento de um acréscimo no salário para que os policiais militares, mesmo tendo cumprido tempo de serviço, não se aposentem), e a promessa de encaminhar a Assembleia Legislativa uma proposta de gratificação para que policiais militares aposentados retornem à atividade.

 

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