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A exportação do crime organizado

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O Brasil tem exibido uma notável inibição diante das crises de diversa ordem que ocorrem no seu entorno mais imediato, mas os desafios se apresentam também como uma grande oportunidade para retomar o papel de importante protagonista regional.

Uma das situações que passou quase desapercebida no país, mas que recebeu forte atenção nas regiões de fronteira, tem sido a atuação de organizações criminosas brasileiras em países vizinhos. A tendência tem sido considerar que os problemas nesses países são da exclusiva responsabilidade de suas autoridades, o que é correto do ponto de vista legal. O que acontece além fronteiras é do interesse de toda a região e exige uma ação conjunta, intercâmbio de informações, cooperação técnica e até formação de recursos aptos para enfrentar o crime organizado.

Bolívia e Paraguai na mira do PCC

No dia 30 de março quatro veículos interceptaram uma caminhonete da firma Brinks perto da cidade boliviana de Roboré e, após lançar uma granada e intenso tiroteio, conseguiram levar US$ 1,3 milhão que se destinavam à localidade de Puerto Aguirre, na fronteira com o Brasil. A polícia boliviana capturou, uma semana depois, o brasileiro Mariano Luis Tardelli, acusado de participar na ação que teria contado com a participação de outras oito pessoas. Brasileiros sob suspeição são donos de terras no lado boliviano.

Em outra ação, um grupo maior, estimado em várias dezenas, incendiou carros e explodiu a fachada da sede de uma empresa de valores, a Prosegur, em Cidade do Leste, na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, para roubar aproximadamente US$ 8 milhões. Parte do grupo que teria fugido em lanchas para território brasileiro foi perseguido pela polícia brasileira. Nos confrontos três assaltantes resultaram mortos.

No início deste mês, a polícia paraguaia prendeu a advogada Marcela Antunes Fortuna, que se encontrava foragida no Brasil. Ela foi expulsa do Paraguai e entregue às autoridades brasileiras em Foz de Iguaçu. A polícia informou que ela fazia parte do grupo de advogados a serviço do PCC e suspeita que ela organizou o assalto em Cidade do Leste.

Força policial despreparada

Os dois episódios mostram que as forças policiais não estão preparadas para enfrentar o poder de fogo do crime organizado que começa a atuar fora das fronteiras brasileiras. No assalto à empresa de valores em Cidade do Leste, só um policial, sem munição, fazia a segurança da empresa enquanto os criminosos utilizavam armamento moderno e inclusive uma metralhadora calibre 50 com capacidade de derrubar helicópteros. Acredita-se que os dois episódios estão interligados em um esforço para obter recursos destinados a ampliar o poder de fogo e libertar os seus líderes presos em presídios de segurança máxima.

A cooperação entre forças de segurança para enfrentar o crime organizado não é apenas um desafio para as autoridades brasileiras, é uma oportunidade para retomar relações de maior densidade com países vizinhos.

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