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O fim de Cunha ou o fim de Brasília?

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O House of Cunha de ontem teve mais uma etapa importante: o dia em que Eduardo Cunha deixou de ser parlamentar.

Essa história começou lá atrás, como presidente da extinta Telerj, durante o governo Collor. Depois, com Garotinho, mandou na habitação do estado. Quem o conhece desde aquela época jura que ele nunca foi flor que se cheirasse.

Mesmo assim Cunha subiu. Candidatou-se pela primeira vez em 98. Venceu. Venceu mais três.

Sua maneira de conduzir as coisas, rindo e fazendo rir, conquistou apreço de muitos colegas. Tanto apreço que virou presidente da Câmara. Sua eleição foi o primeiro prego no caixão de Dilma. Tivesse empossado outro, dificilmente teria sofrido o impeachment.

Cunha sempre foi um estudioso. Estudou o regimento e encontrou todas as brechas possíveis para poder manobrar a Câmara como quisesse.

Só pecou no maldito depoimento que ele insistiu em fazer. Não cabia a ele falar, mas calar. A soberba falou alto e suas palavras ficaram marcadas.

Uma lenta engrenagem começou a girar. A cada semana Cunha perdia poder. Ao mesmo tempo tentava se livrar da Lava Jato barganhando com o governo Dilma. Ok, essa parte foi de ingenuidade ímpar. Se Dilma pudesse livrar alguém, não teria livrado os seus?

Sua primeira derrota veio com a reforma política. Perdeu a queda de braço com Marcelo Castro, deputado também do PT. Não passou o “distritão”. O cristal rachou. Cunha já não era mais imbatível.

Quando deu conta que não seria salvo, aceitou os pedidos de impeachment. Teve preço. Sua engrenagem acelerou.

Procrastinou enquanto pôde. Usou todo seu conhecimento para postergar sua cassação. Fez tanto que foi afastado do cargo e dos colegas.

Cunha virou carne morta.

Hoje, caso tenha votação, Cunha será cassado. Não há enredo diferente. Não há escapatória. Mesmo aqueles que eram seus pares, com muito constrangimento votarão contra ele. Apenas alguns ficarão ao seu lado.

A questão agora é mais complexa: como serão os próximos dias?

Cunha poderá ser preso pela Lava Jato e ninguém sabe como ele reagirá sob pressão. Poderá ser uma bomba de efeitos imprevisíveis.

Ontem, foi o princípio do fim, só não sabemos de quem ou do quê.

 

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