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Frankfurt: investidores apostam em emergentes que reagem como o Brasil

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A Global Source Partners, rede mundial de consultores políticos e econômicos, e a TD Securities, braço de investimentos do gigantesco banco canadense TD, promoveram na sexta-feira, 4, em Frankfurt, a Global Emerging Markets Conference 2017.

O evento foi realizado no Hotel Villa Kennedy e contou com a participação de banqueiros, investidores e economistas de instituições da Inglaterra, Suíça, França, Itália, Alemanha e Oriente Médio.

O cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice e membro da Global Source, foi o representante do Brasil no evento. Além de ter realizado três palestras específicas sobre o Brasil, Aragão recolheu muitas impressões sobre o sentimento dos investidores em relação aos mercados emergentes.

Em entrevista ao Blog da Política Brasileira, ele resume suas impressões sobre o futuro projetado para os mercados emergentes.

Qual a visão dos participantes do evento sobre o crescimento da economia no mundo nos próximos 12 meses?

Existem sentimentos misturados. Para os investidores, não haverá crescimento econômico relevante nos mercados emergentes no período. Já para os especialistas, haverá um crescimento moderado. Puxado, sobretudo, pela América Latina e Ásia.

Qual é o maior risco para os investidores em relação aos mercados emergentes?

A desaceleração econômica da China é o tema que mais preocupa os investidores. Pelo fato de que teria um impacto brutal no desempenho das demais economias emergentes. No entanto, para mim, vejo os riscos geopolíticos associados a guerras e ao terrorismo como o maior risco nos próximos doze meses. Serão fatores de instabilidade permanentes e que geram cautela junto aos investidores.

Quais países dos mercados emergentes estão mais expostos à crise?

A África do Sul vive uma grave crise gerada, na sua maior parte, por problemas internos. Está a caminho do fundo do poço. Curiosamente, a África do Sul parece o Brasil de Dilma Roussef. Caso se resolva o problema político, a situação tende a melhorar. É uma aposta positiva para o futuro. A Turquia é o país que apresenta maiores riscos imediatos para os investidores do mercado financeiro. Tanto pela instabilidade do governo Erdogan quanto pela proximidade com a guerra da Síria e, ainda, por estar exposto ao terrorismo.

Quais os mercados emergentes estão preferencialmente na mira dos investidores?

A América Latina concentra as expectativas. Brasil e Argentina podem trazer bons resultados. Acham que a agonia da Venezuela está próxima do fim e uma mudança pode trazer um futuro melhor para o país. Acham, ainda, que o México está com o peso desvalorizado e que pode ganhar corpo frente ao dólar. Muitos acreditam que o real vai se valorizar frente ao dólar por conta do desempenho da balança comercial, pelo fluxo de investimentos no mercado de capitais e pelos investimentos diretos.

Que riscos foram identificados em relação ao Brasil?

Pela ordem, os seguintes: andamento das reformas, paralisia política por causa da Operação Lava-Jato e eleições 2018. Os investidores acreditam que alguma reforma previdenciária vai ser aprovada. Se isso não acontecer, haverá uma decepção imensa. Estão confiantes no andamento da reforma trabalhista e entendem que a economia poderá ficar mais dinâmica por causa das reformas. Apesar do temor de paralisia política gerada pela Operação Lava-Jato, acreditam que o país será melhor ao final de tudo.

E com relação às eleições de 2018?

O grande temor é a volta de um político que retorne com as práticas de Dilma Roussef. Vêem Lula como um grande risco. Perguntam se ele vai manter os 30% que apresenta nas pesquisas eleitorais. Querem saber se a atual política de reformas vai sobreviver ao novo governo.

E o que o senhor respondeu?

Bem, disse que só uma tragédia completa tiraria o país do caminho das reformas. Até mesmo Lula teria que lidar com o brutal déficit fiscal e com a necessidade de se fazer a reforma previdenciária. Esclareci que, no fundo, Lula torce para que as reformas de Temer sejam aprovadas para que ele não tenha que fazer o “trabalho duro”. Acho que todos os candidatos torcem, no íntimo, para que Temer faça as reformas e se desgaste politicamente. Afinal, com as reformas, o Brasil será um país bem melhor de se governar. Seja quem for o próximo presidente.

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