crise

O futuro do Brasil está ameaçado

Imprimir

Um cenário de incertezas, principalmente na política e na economia, preocupa todos os brasileiros. Na mídia palavras como corrupção, delações premiadas, operação lava-jato, impeachment  são cada vez mais utilizadas.

Nesse cenário complexo, com a escassez de valores éticos e comportamentos civilizatórios, é preciso fazermos uma reflexão sobre qual País queremos para o futuro. O que ocorrer nos próximos meses e anos será decisivo para que o Brasil possa superar a ameaça de um caos social e ser um habitat digno para todos os brasileiros.

O freio no desenvolvimento dos próximos 20 anos

A polêmica PEC 55 (PEC do teto de gastos) provavelmente vai provocar uma freada histórica nos gastos públicos. No entanto poderá comprometer o nosso desenvolvimento e causar um retrocesso em áreas essenciais como a educação, ciência e tecnologia.

Ela estipula que os gastos públicos sejam, pelo período de 20 anos, limitados à variação da inflação do ano anterior. Mesmo que haja um crescimento econômico ele não será investido em áreas fundamentais e estratégicas.

Essa medida, inspirada provavelmente pelo poder econômico, escandalosamente não limita os gastos exorbitantes da dívida pública. Pilares de uma sociedade justa, como a educação e saúde, certamente sofrerão os efeitos perversos dessa PEC.

Sem um desenvolvimento pleno, o desemprego e a pobreza aumentarão. O jovem de hoje, que estudou mais que seus pais, está com mais dificuldade de entrar no mercado de trabalho. A frustração certamente provocará traumas que carregarão durante toda a sua vida. Pagaremos um alto preço por cometer erros que comprometerão a juventude. Eles são o futuro.

Investimento em Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI)

Ao contrário do incentivo à CTI feitos em países que tiveram crises econômicas, no Brasil equivocadamente faz cortes de investimento nessa área estratégica para o nosso desenvolvimento e soberania. O investimento em CTI pode criar um novo ciclo de desenvolvimento, abrindo caminho para a diminuição das desigualdades sociais, aumento de empregos, distribuição de rendas e melhoria na qualidade de vida.

Estamos em plena Era do Conhecimento, onde os avanços nas áreas de biotecnologia, nanotecnologia e inteligência artificial, entre outras, causaram transformações gigantescas na sociedade humana. Debilitar o Sistema de CTI no Brasil é um ato de insensatez.

Uma moção foi aprovada recentemente na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) onde além de aumento de investimentos, seja destinada à CTI o ressarcimento de recursos devido a atos de corrupção de obras públicas, enriquecimento ilícito e outras ilegalidades.

Educação como prioridade

O desleixo com a educação no Brasil é antigo. Em 1932, foi lançado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, um documento que continha um diagnóstico conciso e propunha ações necessárias para uma mudança drástica no setor de educação.

Em 1959, uma nova versão do mesmo manifesto foi feita. Os dois manifestos são contemporâneos, o que indica que quase nada foi feito. No Brasil, todos os governos afirmam que a educação é uma meta prioritária. Ela foi e ainda é utilizada na plataforma eleitoral de todos os partidos.

No entanto, a maior parte das promessas feitas durante a campanha eleitoral não é cumprida pelos que assumem o poder. Atualmente o Segundo Plano Nacional de Educação (PNE) está em vigor. Pelo andar da carruagem as metas não serão cumpridas como aconteceu no primeiro plano.

O futuro da educação é incerto se a educação não for colocada como a prioridade das prioridades, e ser uma política de estado. Como clausula pétrea dessa política todas as crianças e jovens brasileiros devem ter acesso a uma educação básica de qualidade, incluindo a primeira infância, o ensino infantil, o ensino fundamental e médio.

Essa educação deverá ter como meta a formação de um ser humano autônomo, com pleno acesso ao conhecimento e pensamento crítico e a uma formação profissional. No entanto os pilares dessa educação deverão ser: a promoção e consolidação de valores e virtudes como solidariedade, ética, responsabilidade social, amorosidade, fraternidade, desapego, generosidade, paciência, e honestidade.

Se realizarmos o sonho dos que conceberam o Manifesto dos Pioneiros da Educação, vamos dissipar as nuvens negras que parecem comprometer o futuro do Brasil. Teremos um País onde cada cidadão possa conquistar os seus sonhos e a sua felicidade plena.

Loading Facebook Comments ...

Artigos relacionados

Série eleições 2018: horário eleitoral, propaganda e marketing


Neste artigo vamos tratar de como bem utilizar o horário eleitoral gratuito, mediante o uso do rádio e da TV, e como potencializar a propaganda e o marketing da campanha, iniciando com conceitos e dicas sobre o emprego dessas ferramentas na campanha eleitoral.   Os programas de rádio e TV podem se constituir em uma importante fonte de votos. Os candidatos devem aproveitar bem esses meios e utilizar linguagem adequada para cada veículo. É fundamental a presença de um profissional ou agência que oriente na forma e no conteúdo dos programas. Para os candidatos com dificuldades de comunicação, além da presença do profissional na produção dos programas, recomenda-se um rápido treinamento com técnicas que irão ajudá-los na gravação dos programas, entrevistas, debates, nas salas em público e em comícios.   No rádio, a linguagem deve ser coloquial e repetitiva. É importante tratar apenas de um assunto de cada vez e associar o tema à sua imagem. Um bom jingle ajuda o eleitor a lembrar-se do candidato, de seu número e de suas bandeiras de campanha. O candidato deve procurar transmitir confiança e esperança.   Na televisão, além do conteúdo de sua fala, que deve conter frases curtas e na ordem direta, o candidato deve preocupar-se também com os gestos, expressões faciais e aparência. É importante não fazer gestos bruscos nem ser agressivo. A indignação deve ser expressada com toda a emoção possível, preferencialmente acompanhada de gestos e entonação da voz.   No curso da campanha não basta produzir bem os programas do candidato, é preciso também acompanhar e gravar os programas dos adversários. Isso possibilita solicitação do direito de resposta sempre que o candidato for atingido, mesmo que de forma indireta, com afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou inverídica.   Já o trabalho de Marketing, conceituado como um conjunto de técnicas […]

Ler mais

Série Eleições 2018: planejamento da campanha


O êxito de uma campanha eleitoral, qualquer que seja o porte do Estado, depende em boa parte de um bom planejamento. Planejar significa avaliar possibilidades, dimensionar os recursos e estabelecer metas.

Ler mais

Previdência complementar: prazo de migração acaba em julho de 2018


O servidor público que ingressou nos poderes Executivo e Legislativo Federal antes de 07 de maio de 2013, respectivamente, com ou sem direito à integralidade e paridade, tem até o dia 29 de julho de 2018 para decidir se deve ou não migrar para a previdência complementar, que é quando vence o prazo de adesão previsto no art. 92 da Lei 13.328/16. Muitas entidades sindicais já fizeram o dever de casa e produziram estudos – considerando o perfil dos servidores por elas representados – mostrando as vantagens e desvantagens ou os riscos e as oportunidade de eventual migração nesse período. Mas a maioria, por variadas razões, que vão desde questões ideológicas até omissão, ainda não prestou os devidos esclarecimentos aos servidores, para que estes decidam com segurança sobre a conveniência de migrar ou não para a previdência complementar. O servidor que tenha incertezas quanto ao alcance de uma nova reforma da previdência – já que não existe dúvidas que virão mudanças nas regras de concessão de aposentadoria nos regimes próprio e geral – e que não tomar a decisão dentro desse prazo legal, ficará permanentemente vinculado ao regime próprio e, portanto, sujeito às futuras mudanças previdenciárias, inclusive em relação ao tempo que contribuiu sobre a totalidade da remuneração. Um das motivações de quem já migrou foi o fato de que o tempo que contribuiu sobre a totalidade, segundo a lei em vigor, ficaria preservado e seria pago pela União, em forma de benefício especial e em valor proporcional ao tempo que contribuiu sobre a totalidade, constituindo-se em ato jurídico perfeito e, supostamente, protegido pelo direito adquirido. Esse benefício especial, no momento da aposentadoria, se somaria ao teto do regime geral – em valor de maio de 2018 fixado em R$ 5.645,80 – e ao que o servidor viesse a acumular […]

Ler mais

O mercado prefere Alckmin, mas ‘comprou’ Bolsonaro


Sondagem da XP Investimentos com 204 investidores institucionais mostra que o ex-capitão Jair Bolsonaro superou o ex-governador Geraldo Alckmin na corrida sucessória. Quem convive com os tubarões do mercado, como o InfoMoney, braço editorial da XP Investimentos, interpretou o resultado da seguinte forma: o arrivista boquirroto deixou de ser surpresa. http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/7462345/tubaroes-mercado-dao-favoritismo-bolsonaro-projetam-segundo-turno-contra-ciro “O mercado comprou Bolsonaro”, disse um desses observadores, acostumado à visão pragmática de quem só pensa em amealhar mais e mais moeda. Para essa turba – que não é ignara, senão dinheiro farto não teria -, não interessa quem é o dono da bola, desde que a deixe jogar. Preocupação máxima Para quem não leu a sondagem, eis a síntese. Bolsonaro saltou de 29%, em abril, para 48%, em junho, na expectativa de quem será o vencedor do pleito presidencial de outubro próximo. Geraldo Alckmin, o preferido dos tubarões, caiu de 48% para 31%. Atente-se que estes percentuais não tratam de preferência, mas de prognóstico. Igualmente relevante, a avaliação para o segundo turno. Nada menos do que 85% dos tubarões acreditam que o candidato do PSL estará no segundo turno. E “se você tivesse que ficar comprado em ativos brasileiros, quão preocupado com eleições você estaria”, quis saber a XP. 51% estão muito preocupados, 35% preocupados. A preocupação, depreende-se das tabelas divulgadas, é pela vitória eventual de Fernando Haddad e Ciro Gomes. Duas perguntas exprimem a preferência dos rentistas pelo ex-governador de São Paulo. “Para onde vai a bolsa nas próximas semanas/meses se _________ ganhar?” é uma delas. A outra apenas substitui “bolsa” por “câmbio”. Nos dois casos, o nome de Alckmin é o que remonta ao cenário pós-eleitoral mais otimista. Bolsa em alta, dólar em queda. Bolsonaro vem aí. Se vai ganhar, nem o oráculo mercado é capaz de prever. Relacionado

Ler mais