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Rupturas e alianças

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A reunião de cúpula do G20, que começa nesta sexta-feira em Hamburgo, está precedida por maus presságios, porque diferentemente de encontros anteriores, nesta ocasião se preveem rupturas e novas alianças no plano político e uma nova guerra comercial no âmbito da economia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende iniciar sua cruzada para devolver empregos aos americanos com a imposição de tarifas de 20% sobre a importação de aço e alumínio das duas grandes potenciais industriais do mundo atual, Alemanha e China.

A reunião dos líderes das 20 maiores economias do mundo deve acentuar os sinais de ruptura entre os Estados Unidos e Alemanha. O motivo é o superávit comercial que os alemães tem com os Estados Unidos. Certamente há motivos de preocupação: no ano passado, o déficit dos EUA chegou quase a US$ 65 bilhões e nos quatro primeiros meses deste ano a US$ 20 bilhões.

Trump: catecismo protecionista pode levar à recessão

Por que os americanos compram mais do que vendem? Primeiro porque há razoável liberdade para isso; segundo, porque os americanos apreciam o preço e a qualidade dos carros alemães (22% das importações). Alemanha é a terceira maior economia exportadora do mundo e tem como principal mercado justamente os Estados Unidos. Os americanos por sua vez exportam para Alemanha uma variedade de produtos: remédios, aviões, turbinas de gás, instrumental médico, entre os de maior valor.

Esse é o sentido da globalização que recebeu formidável estímulo por parte de um antecessor republicano de Trump, Ronald Reagan, há três décadas. De lá pra cá, a complementariedade industrial avançou a tal ponto que seria inviável a produção se for levado ao pé da letra o catecismo protecionista de Trump. É inviável produzir aviões, por exemplo, em economias fechadas, tal o grau de interdependência global.

O que pode ocorrer com essa onda protecionista é justamente o contrário do que pretende o presidente americano: o aumento dos preços na economia americana, uma vez que serão barrados produtos competitivos. A ineficiência da economia americana é a causa da falência de importantes setores industriais como o da produção de automóveis.

A onda protecionista de Trump pode levar a uma brutal queda na oferta de emprego e à recessão.

Mas, essa é apenas uma das ameaças da nova administração da Casa Branca.

O pior efeito do encontro desta semana para países como o nosso é que fora dos cinco protagonistas, o papel do resto é apenas de coadjuvantes. O papel do Brasil em Hamburgo ainda é mais acanhado por conta da situação interna.

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