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Golpe ou não, isso é política

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Collor aprendeu uma dolorosa lição em seu impeachment: o chefe do Executivo deve valorizar o relacionamento com o Legislativo. A independência dos poderes não exclui a necessidade de harmonia. Dilma fora avisada há mais de um ano pelo próprio ex-presidente. Não deu bola.

É imprudente demais, de forma até adolescente, ser presidente da República em uma composição que reúne três elementos: vice, presidente do Senado e presidente da Câmara do mesmo partido.

O mesmo acontece com governadores e prefeitos. Qualquer político, com um mínimo de visão, entende que deve ter os presidentes do legislativo como aliados, não como inimigos.

Se Dilma tivesse emplacado alguém próximo em qualquer uma das presidências, haveria impeachment? Não creio. Mesmo com materialidade de crime fiscal, o processo nem teria sido acolhido, nem com apoio das ruas.

Dilma sabia disso. Só não quis acreditar. Entendeu que ser braço duro garantiria sua permanência. Menosprezou a história e superestimou seus pares.

Assim que assumiu, trabalhou para alijar o único que poderia lhe salvar, José Dirceu. Depois foi tirando todos os que foram alicerces de Lula, nem Berzoini e Palocci se salvaram. Toda proteção vem com um preço e ela não estava disposta a pagar.

Um processo de impeachment, uma vez acolhido, é muito difícil de ser parado. O Legislativo não dá ponto sem nó. Não se arriscaria a promover um motim que poderia dar errado e ter que conviver mais tempo com uma presidente que não caiu.

Se é golpe ou não é golpe, isso é irrelevante. Isso é política.

 

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