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Governo: copo meio cheio, meio vazio

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O governo começou o ano comemorando algumas boas notícias, e ainda planeja criar uma agenda positiva, na tentativa de estimular a economia, recuperar o otimismo de investidores e melhorar a avaliação popular.

A inflação medida pelo IPCA-15 em janeiro foi a menor para o mês desde 1994. O índice em 12 meses diminuiu de 6,58% em dezembro para 5,94% em janeiro. De acordo com pesquisa da CNI, a confiança do setor industrial aumentou de dezembro para janeiro.

Em sua primeira reunião do ano, o Banco Central reduziu a taxa de juros de 13,75% para 13%. Conforme sinalizou o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, haverá novas reduções.

Em Davos, na Suíça, durante sua participação no Fórum Econômico Mundial, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou que haverá correção da tabela de imposto de renda este ano. Uma boa notícia para a classe média, que pagará menos imposto.

Conforme já anunciado pelo governo, os 10,1 milhões de trabalhadores que possuem saldo em contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderão sacar os recursos a partir de março. Serão liberados R$ 30 bilhões.

O presidente Michel Temer continua sustentando discurso pedindo reformas. Voltou a defender nos últimos dias a necessidade de uma Reforma Tributária. Já havia feito isso em seu discurso de final de ano, em dezembro.

Está sendo definido um calendário de concessões em vários setores, como pré-sal, portos, aeroportos e ferrovias.

Perduram, no entanto, algumas outras notícias preocupantes: o desemprego continua em alta; o FMI divulgou relatório rebaixando a previsão de crescimento do PIB brasileiro este ano de 0,5% para 0,2%; a situação fiscal dos estados permanece grave. Sem falar nas incertezas que envolvem a Lava-Jato e o processo sobre a cassação da chapa PT-PMDB às eleições presidenciais de 2014, ainda sob análise do Tribunal Superior Eleitoral.

Com relação à Lava-Jato, Francisco Zavascki, filho do ministro Teori Zavascki, morto na semana passada em um acidente de avião, disse em entrevista que seu pai estava preocupado com 2017 e que este ano seria pior que 2016.

Vale lembrar que no ano passado, apesar das turbulências, o presidente Temer alcançou importantes conquistas no Congresso Nacional. A começar pela construção de uma ampla maioria na Câmara e no Senado que resultou na aprovação de matérias importantes, como a PEC dos Gastos.

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