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O impacto político da lista de Fachin

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A divulgação da lista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato, autorizando investigação de parcela expressiva do sistema político a partir de delações de ex-executivos da Odebrecht traz uma série de implicações sob as mais diferentes variáveis:

Popularidade do governo:

A tendência é que a avaliação positiva do governo Michel Temer continue baixa. Aliás, dado o impacto das delações, amplamente divulgadas por diferentes meios de comunicação – que realizam uma condenação prévia dos investigados –, é possível até que a popularidade do governo e também a do presidente Temer caiam ainda mais e cresça a desaprovação.

Reformas:

Como parlamentares importantes foram atingidos pela lista de Fachin, o ritmo dos trabalhos pode diminuir. Porém, uma vez que as investigações das denúncias trazidas pela Odebrecht ainda terão um longo caminho até a condenação final dos envolvidos, a agenda de reformas deverá continuar avançando.

Base aliada:

Uma das grandes preocupações do governo é que as investigações afetem o seu relacionamento com a base aliada. O presidente Michel Temer tem participado diretamente das negociações dos temas considerados cruciais, em especial a Reforma da Previdência. Embora possa haver alguma tensão no cenário de curto prazo, não há risco de desagregação entre os aliados.

Saída de ministros:

Apesar de oito importantes ministros do governo serem investigados pela Lava-Jato, nenhum deles deverá ser afastado no curto prazo. Por ora, continua valendo regra estabelecida pelo presidente Temer – os ministros só deixarão o governo após serem denunciados. Porém, caso os investigados fiquem numa situação política de grande fragilidade, principalmente após novas revelações vindas das delações, a possibilidade de mudanças ministeriais não pode ser totalmente descartada.

Protestos:

Sempre há o risco de novos protestos, dada a turbulência política pela qual o país passa. No entanto, a última mobilização que o Movimento Brasil Livre (MBL) tentou realizar acabou fracassando. Assim, como há uma crise de representação e o sistema político como um todo foi atingido pela Lava-Jato, os grupos demonstram baixa capacidade de levar a população às ruas. Teremos um novo termômetro dessa capacidade de mobilização popular no dia 28 de abril, data da greve geral convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em oposição à agenda de reformas do governo.

A antipolítica:

O envolvimento das grandes lideranças dos principais partidos políticos (PT, PSDB, PMDB etc) no escândalo da Lava-Jato produz um vácuo no jogo de poder que poderá ser ocupado por alguém vinculado à antipolítica ou pelos chamados outsiders. Com a alta rejeição da política tradicional, o Poder Judiciário deverá preservar o protagonismo do qual desfruta atualmente. Com o combate à corrupção sendo o tema principal da agenda política, nomes como o de João Doria (PSDB), Jair Bolsonaro (PSC), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (REDE), não citados nas delações da Odebrecht, podem ganhar relevância no debate político. Também pode surgir uma alternativa vinda de fora do sistema. Por exemplo, a declaração do apresentador Luciano Huck em uma recente entrevista, afirmando que chegou a hora de sua geração eleger o presidente da República. Isso foi interpretado como disposição para se candidatar a presidente.

Essa corrosão da política tradicional abre espaço para o surgimento dos chamados outsiders. Hoje, por exemplo, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) aparece bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto para 2018, estando tecnicamente empatado com as opções do PSDB.

Embora não sejam antipolíticos, políticos como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o ex-senadora Marina Silva (REDE), podem ocupar esse espaço vago, principalmente se figuras consagradas, como Lula, Aécio, Serra e Alckmin, ficarem inviabilizadas.

Veja um debate promovido pela TV Estadão sobre o impacto político e econômico da delação da Odebrecht:

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