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Lula e a sucessão de 2018

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Apesar de todo o desgaste do ex-presidente Lula (PT) por conta de seu envolvimento nas investigações da Operação Lava-Jato, duas pesquisas divulgadas na semana passada indicam que ele ainda preserva um importante capital político para ser novamente candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de 2018.

Segundo o Ibope, Lula é hoje o presidenciável com maior potencial eleitoral: 47% dos entrevistados afirmam que votariam com certeza ou poderiam votar no ex-presidente. Na pesquisa Vox Populi, Lula aparece em primeiro lugar, com 44% das intenções de voto.

Mesmo que a Lava-Jato tenha abalado fortemente a imagem de Lula, aumentando sua rejeição a cerca de 50%, alguns fatores beneficiam o ex-presidente:

  1. Lula foi o último presidente em cuja gestão o país registrou crescimento econômico, o que gera uma lembrança positiva de seu governo, principalmente nas camadas que emergiram socialmente no período;
  2. A origem pobre do ex-presidente e sua ascensão social são vistas como “exemplo”, sobretudo para o eleitorado nordestino, de baixa renda e baixa escolaridade;
  3. Ao ser atingido pela Lava-Jato, Lula conseguiu se posicionar como “vítima do Judiciário”.

Contudo, há uma série de variáveis negativas que representam obstáculos às pretensões de poder do ex-presidente:

  1. Lula é muito rejeitado, o que criaria dificuldades num eventual segundo turno;
  2. Lula e o PT não possuem uma agenda de futuro. O recente programa partidário petista enfatizou conquistas dos 12 anos de lulismo, sobretudo no campo social. Porém, tais conquistas (Bolsa Família, ProUni, Minha Casa Minha Vida etc.) já foram incorporadas ao “dia a dia” da população. Além disso, o chamado “discurso do medo” utilizado na campanha de 2014 não deve ter a mesma eficiência hoje, já que o governo Temer manteve os programas sociais criados nos governos petistas;
  3. Ao contrário de 2002 e 2006, Lula não contará com a simpatia do mercado e do empresariado. Muito pelo contrário, terá a oposição desses importantes setores, pois uma eventual vitória do ex-presidente é vista como retrocesso da agenda de reformas econômicas e do combate à corrupção;
  4. O envolvimento de Lula e do PT na Lava-Jato caminha no sentido contrário de uma importante demanda do eleitorado para as eleições de 2018: a ética na política. A agenda do lulismo e do petismo também se opõe à chamada onda conservadora existente em importantes setores da sociedade brasileira.

Dos políticos tradicionais, Lula é um dos poucos que demonstram capacidade de resistir ao abalo que a Lava-Jato provocou sobre a política clássica. O ex-presidente é um candidato forte e com potencial para chegar ao segundo turno. Ao mesmo tempo, porém, a oposição a Lula e ao PT é significativa, em especial nos grandes centros urbanos. Diante desse cenário, perguntas como “Lula poderá ser candidato?” ou “Lula vencerá pela terceira vez uma eleição presidencial?” são incógnitas que continuarão em aberto.

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