eleicoes-2018

O banco de reservas Petista

Imprimir

Todo bom time de futebol é feito não apenas de 11 jogadores titulares, mas também de um banco de reservas que substitua à altura e mantenha o time em bom nível e com as chances de vitória. Na política, não é diferente.

A condenação de Lula em segunda instância, de maneira unânime, pelo TRF-4, inviabiliza o caminho do ex-presidente ao Palácio do Planalto. O PT tem traçada a estratégia de manter a candidatura de Lula até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impedi-lo de disputar o Planalto novamente, como preveem ministros da Corte.

Para o PT, é fundamental um substituto que consiga chegar o mais próximo do peso que o ex-presidente teria na corrida eleitoral. Sem um plano B, ou até mesmo sem um candidato à presidência – ou se apoiando em nomes de fora do partido, como Ciro Gomes -, o partido acaba perdendo voz e impacto nas campanhas estaduais e federais.

Cabe ressaltar que o PT não abrirá o jogo sobre o possível reserva imediato de Lula, pelo menos não até agosto. Qualquer nome que seja apresentado por agora fará com que o partido assine um atestado de culpa para o ex-presidente e jogue, de maneira oficial, a toalha na campanha.

Fernando Haddad

O ex-prefeito de São Paulo é um dos nomes mais especulados nos bastidores. Haddad foi o escolhido para coordenar o programa de governo que Lula apresentaria durante a campanha deste ano. Portanto, teria a benção e a confiança do ex-presidente. Haddad é, ainda, um nome que agrada o lado mais à esquerda do partido, inclusive a juventude petista.

Contra o seu nome pesa um inquérito da Polícia Federal, no qual foi indiciado por caixa dois, aberto em 2015 após a delação de Ricardo Pessoa, da construtora UTC. Outro ponto negativo para Haddad é o seu histórico eleitoral recente. Em 2016, foi derrotado na tentativa de se reeleger prefeito de São Paulo, em uma disputa que, de forma histórica, foi decidida ainda no primeiro turno.

Haddad deixou o mandato de prefeito com uma avaliação positiva (ótima ou boa) de apenas 14% da população e uma rejeição (ruim e péssima) de 48%, segundo pesquisa Datafolha de 2016.

A possibilidade de Haddad substituir Lula divide o PT. Se parte do partido defende seu nome, outra é contra, por causa de críticas que o ex-prefeito fez à legenda e à ex-presidente Dilma Rousseff.

Jaques Wagner

Um dos amigos de longa data e mais próximos de Lula, Wagner poderia ser o nome escolhido para ocupar a vaga de candidato à Presidência.

Nome bem visto pela “velha-guarda” do partido, ele é um veterano eleitoral e político de sucesso, tendo sido eleito e reeleito governador da Bahia, além de deputado federal por 3 mandatos, e ocupado os cargos de ministro do Trabalho e das Relações Institucionais no Governo Lula e ministro da Casa Civil e da Defesa no Governo Dilma.

Sua primeira vitória para o governo, em 2006, foi no primeiro turno com 53% dos votos. Em 2010, ele teve 64% dos votos e derrotou Paulo Souto, do DEM, pela 2ª vez consecutiva. Souto sofreria nova derrota em 2014 pelo candidato do governador, Rui Costa, que teve 54% dos votos válidos.

Outro ponto favorável para Wagner é o recente resultado petista na Bahia, no cenário nacional. Em 2006, Lula teve 67% de votos válidos no 1º turno e 78% no 2º. Em 2010, Dilma teve 47% no 1º e 71% no 2º turno e em 2014 foram 61% e 70% respectivamente. Wagner seria o nome certo para aumentar esses números petistas na Bahia.

No entanto o ex-ministro não é um nome que anime as massas de outras regiões do país (e nem mesmo nos outros estados do Nordeste), e até mesmo das alas mais jovens do PT (onde Haddad tem a maioria do apoio). Também pode pesar negativamente a proximidade de Jaques e Lula, o que seria um prato cheio para as campanhas adversárias.

Fernando Pimentel

O ex-governador mineiro foi um dos nomes lembrados por Lula, junto de Jaques Wagner, em agosto de 2017 como possíveis substitutos da campanha presidencial.

Pesa contra Pimentel a própria falta de interesse de brigar pela presidência. Para o governador mineiro, conquistar uma vaga no Senado é visto pelos aliados do petista como uma maneira mais fácil de ser eleito e manter o foro privilegiado, prerrogativa que perderia caso não fosse eleito para outro cargo.

Pimentel é réu na operação Acrônimo. O petista é acusado de corrupção passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Ele teria beneficiado, em troca de propina, a montadora Caoa e as empreiteiras Odebrecht e JHFS quando era ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Governo Dilma.

Por mais que Pimentel agrade os petistas e seja um nome com vitórias recentes em seu estado, o individualismo pode falar mais alto e fazer com que ele não “entre em campo”.

Gleisi Hoffmann

A atual presidente do PT é quem mais se manifesta em defesa de Lula. O ex-presidente apoiou a candidatura de Hoffmann para comandar a legenda e, em diversos momentos, discursou mostrando confiança em sua capacidade de unir o partido.

Gleisi seria uma nova tentativa do PT de emplacar uma mulher na presidência do país, chamando para si o apoio dos movimentos sociais e a militância mais ativa do partido (com quem a senadora possui relações bem próximas).

O fato de Gleisi e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, serem réus na Operação Lava-Jato pesa contra a senadora. Movimentos antipetistas, como o Movimento Brasil Livre, já pediram em diversos momentos que o STF dê celeridade no julgamento e a condene.

Ela é acusada de receber, de forma ilegal, um milhão de reais para a sua campanha ao Senado em 2010, e o dinheiro seria fruto do Petrolão. Gleisi, obviamente, nega as acusações, mas entende (mesmo que não se manifeste publicamente) que é necessário manter o foro privilegiado e, assim como Fernando Pimentel, deve mesmo decidir por uma reeleição ao Senado.

E a definição?

Mesmo com essas opções, a definição petista para o substituto de Lula será feita, ao menos de maneira oficial, somente aos 48 do segundo tempo, quando o TSE rejeitar sua candidatura com base na Lei da Ficha Limpa.

Existe ainda a possibilidade de Lula concorrer com a sua candidatura sub judice, buscando de maneira forçosa a sua participação na eleição. Essa decisão geraria um clima de instabilidade e maior incerteza dentro do país, independentemente do resultado da eleição.

Fato é que estamos ainda no começo do segundo tempo e muita coisa ainda acontecerá no jogo político para a Presidência da República.

Loading Facebook Comments ...

Artigos relacionados

Série eleições 2018: estrutura de campanha


Para os candidatos – tanto à eleição majoritária (presidente, governador e senador) quanto à proporcional (deputado estadual, distrital e federal) – que decidirem não entregar a execução de sua campanha a uma agência de comunicação ou publicidade, o ideal é que o comitê seja estruturado com pessoas experientes e capazes em quatro grandes núcleos de apoio: a) marketing; b) política; c) material de campanha; e d) atividades de rua. Coordenação de Marketing – cuidará da definição das atitudes e imagem do candidato, além da propaganda, da assessoria de imprensa, da contratação de pesquisa, da participação do candidato em debates e entrevistas, dos logotipos e da identificação visual da campanha. Deve ser um profissional do setor. Coordenação Política – será encarregada das negociações, das alianças e da orientação aos cabos eleitorais. Deve ser alguém vinculado orgânica e politicamente ao partido ou coligação e de absoluta confiança do candidato. Coordenação de Material de Campanha – cuidará da operacionalização das peças de campanhas produzidas pelo núcleo de marketing ou pela agência contratada, tais como panfletos, botons, distintivos, adesivos, bandeirinhas e outros produtos de divulgação do candidato. Deve ser um profissional. Coordenação das Atividades de Rua – será o responsável por colocar o bloco na rua, cuidando da mobilização da militância e da distribuição do material de campanha, além de outras atividades. A campanha ou o comitê não poderá prescindir de um coordenador administrativo e financeiro e de um bom consultor jurídico. O primeiro para captar recursos, contratar pessoal e autorizar despesas. O segundo para orientar juridicamente a campanha, defender o candidato e requerer eventual direito de resposta. A estrutura da campanha, como se vê, inclui toda a logística, que vai desde o comitê, passando por impressos, correspondências, pesquisas eleitorais, até profissionais contratados para divulgar e promover a campanha nas ruas e, principalmente, nas rádios, […]

Ler mais

Série eleições 2018: horário eleitoral, propaganda e marketing


Neste artigo vamos tratar de como bem utilizar o horário eleitoral gratuito, mediante o uso do rádio e da TV, e como potencializar a propaganda e o marketing da campanha, iniciando com conceitos e dicas sobre o emprego dessas ferramentas na campanha eleitoral.   Os programas de rádio e TV podem se constituir em uma importante fonte de votos. Os candidatos devem aproveitar bem esses meios e utilizar linguagem adequada para cada veículo. É fundamental a presença de um profissional ou agência que oriente na forma e no conteúdo dos programas. Para os candidatos com dificuldades de comunicação, além da presença do profissional na produção dos programas, recomenda-se um rápido treinamento com técnicas que irão ajudá-los na gravação dos programas, entrevistas, debates, nas salas em público e em comícios.   No rádio, a linguagem deve ser coloquial e repetitiva. É importante tratar apenas de um assunto de cada vez e associar o tema à sua imagem. Um bom jingle ajuda o eleitor a lembrar-se do candidato, de seu número e de suas bandeiras de campanha. O candidato deve procurar transmitir confiança e esperança.   Na televisão, além do conteúdo de sua fala, que deve conter frases curtas e na ordem direta, o candidato deve preocupar-se também com os gestos, expressões faciais e aparência. É importante não fazer gestos bruscos nem ser agressivo. A indignação deve ser expressada com toda a emoção possível, preferencialmente acompanhada de gestos e entonação da voz.   No curso da campanha não basta produzir bem os programas do candidato, é preciso também acompanhar e gravar os programas dos adversários. Isso possibilita solicitação do direito de resposta sempre que o candidato for atingido, mesmo que de forma indireta, com afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou inverídica.   Já o trabalho de Marketing, conceituado como um conjunto de técnicas […]

Ler mais

Série Eleições 2018: planejamento da campanha


O êxito de uma campanha eleitoral, qualquer que seja o porte do Estado, depende em boa parte de um bom planejamento. Planejar significa avaliar possibilidades, dimensionar os recursos e estabelecer metas.

Ler mais

Previdência complementar: prazo de migração acaba em julho de 2018


O servidor público que ingressou nos poderes Executivo e Legislativo Federal antes de 07 de maio de 2013, respectivamente, com ou sem direito à integralidade e paridade, tem até o dia 29 de julho de 2018 para decidir se deve ou não migrar para a previdência complementar, que é quando vence o prazo de adesão previsto no art. 92 da Lei 13.328/16. Muitas entidades sindicais já fizeram o dever de casa e produziram estudos – considerando o perfil dos servidores por elas representados – mostrando as vantagens e desvantagens ou os riscos e as oportunidade de eventual migração nesse período. Mas a maioria, por variadas razões, que vão desde questões ideológicas até omissão, ainda não prestou os devidos esclarecimentos aos servidores, para que estes decidam com segurança sobre a conveniência de migrar ou não para a previdência complementar. O servidor que tenha incertezas quanto ao alcance de uma nova reforma da previdência – já que não existe dúvidas que virão mudanças nas regras de concessão de aposentadoria nos regimes próprio e geral – e que não tomar a decisão dentro desse prazo legal, ficará permanentemente vinculado ao regime próprio e, portanto, sujeito às futuras mudanças previdenciárias, inclusive em relação ao tempo que contribuiu sobre a totalidade da remuneração. Um das motivações de quem já migrou foi o fato de que o tempo que contribuiu sobre a totalidade, segundo a lei em vigor, ficaria preservado e seria pago pela União, em forma de benefício especial e em valor proporcional ao tempo que contribuiu sobre a totalidade, constituindo-se em ato jurídico perfeito e, supostamente, protegido pelo direito adquirido. Esse benefício especial, no momento da aposentadoria, se somaria ao teto do regime geral – em valor de maio de 2018 fixado em R$ 5.645,80 – e ao que o servidor viesse a acumular […]

Ler mais