eleicoes-2018

Os caminhos divididos do centro

Imprimir

O centro político do Brasil está dividido. Lembra, guardadas as devidas proporções, a situação de 2001, quanto havia cinco candidatos a candidatos presidenciais para representar o centro político e o governo: quatro do PSDB (José Serra, Paulo Renato Souza, Pedro Malan e Tasso Jereissati) e uma do PFL (Roseana Sarney).

2001: José Serra contra todos

Serra, no ápice de sua energia política, e tal qual um serial killer, eliminou um a um seus concorrentes. Terminou sendo o candidato do centro. Paradoxalmente, fez uma campanha distante do líder FHC, já que atuava em oposição aberta a Malan, então ministro da Fazenda.

Malan teria sido, de longe, o melhor candidato, mesmo para perder. Defenderia o legado de FHC, que demorou anos para ser devidamente reconhecido. Serra fez uma campanha “nem barro nem tijolo”, ou seja, nem governo nem oposição. Perdeu e enfraqueceu o PSDB, que até hoje não se recuperou.

1989: Collor x Lula

Em 1989, o centro se dividiu em diversas candidaturas: Aureliano Chaves (PFL), Ulysses Guimarães (PMDB), Mário Covas (PSDB) e, mais à direita, Afif Domingos (PL) e Fernando Collor (PRN). Após o primeiro turno, sobraram Collor e Lula (PT). Collor era visto com imensa desconfiança pelo establishment político, porém, a desconfiança era bem maior em relação a Lula.

Venceu o candidato “menos pior”, que, apesar de sua larga experiência política, nunca se mostrou capacitado para construir uma base estável e conter os conflitos familiares. Terminou “renunciando” quando já estava “impeached”. Assim, ganhou mas não levou.

O centro não está preparado para as eleições

Hoje, quando estamos nos recuperando da tragédia fiscal e econômica deixada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a divisão do centro não é boa. Ainda mais porque Lula se afasta do centro que o viabilizou como presidente em duas eleições e deu a base do sucesso de suas gestões.

O centro agora não está preparado nem organizado para enfrentar as eleições presidenciais de 2018. Como já dito, está dividido. Assim como o governo. O PSDB caminha em rota própria e a base governista busca seu caminho. Em consequência, o “centrão” do Congresso não confia no PSDB e sonha ter o presidente Michel Temer (PMDB) como candidato. Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), se coloca como o “safe pair of hands” de que o país precisa.

O pior dos mundos é ter o centro desunido com os extremos favorecidos, o que aconteceu nas últimas eleições municipais do Rio de Janeiro. Felizmente, o deputado Jair Bolsonaro (PSC), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o ex-presidente Lula, todos presidenciáveis, tendem a tropeçar nos próprios problemas. Resta saber se algo novo ainda pode acontecer. Como de costume, o acaso acaba aparecendo para desmoralizar os prognósticos.

Publicado no Blog do Noblat em 28/12/2017

Loading Facebook Comments ...

Artigos relacionados

Para vencer, Haddad precisa virar 10 milhões de votos em Bolsonaro


Se quiser ocupar o 3º andar do Palácio do Planalto a partir de 2019, Fernando Haddad (PT) precisará convencer 10 milhões de eleitores que tencionam votar em Jair Bolsonaro (PSL) a mudar de lado. O cálculo é baseado na última pesquisa do Datafolha de intenção de voto divulgada nesta quarta

Ler mais

De acordo com Ibope e Datafolha, eleitores apoiam a Velha Política


Pelo visto, o eleitor está satisfeito com os velhos políticos. Pesquisas de intenção de voto – tanto as majoritárias (abundantes) quanto as proporcionais (escassas) – apontam que políticos de velha cepa continuarão no comando dos executivos estaduais e das assembleias legislativas.

Ler mais

Datafolha e Ibope calculam 48 milhões eleitores pensando


As duas últimas pesquisas de intenção de voto do Datafolha (02/10) e Ibope (29-30/10) indicaram nova redução no número de eleitores pensando. São votantes que, na pesquisa espontânea, votam branco, nulo, não sabem ou não responderam.

Ler mais