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Palavras radioativas de Palocci

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A carta do ex-ministro Antonio Palocci à direção do PT foi uma bomba de nêutrons que implodiu o partido. Mas, como os jornais, partidos também demoram a morrer. A velha Arena sobrevive até hoje no conhecido PP.  O PT vai sobreviver, ainda que muito ferido. Desmoralizado e merecedor daquela sensação triste de vergonha alheia.

Não há dúvida nas afirmações de Palocci. Quase todas foram comprovadas por movimentações financeiras. Palocci, como ele próprio admite, era um dos operadores mais íntimos das entranhas da legenda. Sabia de tudo. Mas, como se sabe, ele terá que provar pelo menos minimamente tudo o que afirmou sobre Lula. As acusações devem ser acompanhadas de um corpo de provas robustas. Não deverá ter muitas dificuldades.

Lembro que o falecido deputado Ulysses Guimarães, nos tempos da Constituinte, ficou espantado ao ver uma foto de Lula em uma piscina de uma casa no Lago Sul em Brasília. Estranhou o fato de o líder operário estar gozando das delícias da burguesia que tanto atacava. Resmungou que Lula gostava de viver de obséquios.

Palocci acusa o ex-presidente Lula justamente de viver de obséquios e de colocar a conta em dona Marisa. A reação do PT é patética. Parece a negação da realidade dos discípulos de Jim Jones, aquele líder religioso que levou centenas ao suicídio coletivo na Guiana, em 1978.

Lula, o líder que transformou o PT em seita, age como Jim Jones, ao se negar a fazer autocrítica séria de sua conduta e de seu partido.  Palocci, como seu ex-colaborador mais íntimo, sabe disso e está avisando que os tempos são outros.

A reação do PT é estonteante e lunática. Não poderia ser diferente para uma seita que pensa que é partido, tal qual uma borboleta que nunca deixou de se considerar  lagarta.

Para outros, com mais sangue-frio, a negação é estratégica, já que, instrumentalmente, a maioria do PT entende que os fins justificam os meios e que Palocci é um rato traidor que merece ser abandonado.

No final das contas, a radioatividade das palavras do Palocci vai continuar a corroer o partido. Não seria melhor fazer uma grande autocrítica, propor um inédito acordo de leniência e dar o primeiro passo que deveria ser seguido por outros partidos igualmente comprometidos com os escândalos denunciados pela Lava-Jato? Existirá grandeza e inteligência para tanto?

Publicado no Blog do Noblat em 28/09/2017

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