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A política externa sob controle do PSDB

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Com a posse do senador José Serra (PSDB-SP) no cargo de ministro de Relações Exteriores, o PSDB passa a controlar toda a política externa Brasileira. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) já preside desde o início de 2015 a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, e este mês o partido indicou o deputado Pedro Vilela (PSDB-AL) para a Comissão homóloga na Câmara dos Deputados.

É a primeira vez desde a redemocratização que um único partido controla toda a política exterior do país. E isso se dá porque o presidente Michel Temer decidiu romper com uma tradição que vinha sendo fortemente defendida, a de indicar para o Itamaraty, membros da carreira diplomática. O último chanceler não diplomata a ocupar foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Resta saber agora o que o PSDB fará como partido que contribuiu para o afastamento da presidente Dilma Rousseff, aceitou cargos no governo de transição e tomou as rédeas de uma área que há anos está abandonada e cuja imagem é degradante. Ninguém duvida da capacidade do senador, mas seu estilo professoral não condiz com a postura diplomática que a liturgia do cargo impõe.

Se quiser, Serra poderá implementar uma Política Externa em coordenação com a Câmara e o Senado, por onde obrigatoriamente passam os acordos e tratados firmados na esfera do Executivo. Uma das queixas antigas diz respeito ao tempo de tramitação desses acordos. Com maioria parlamentar nas duas Casas e controle das respectivas comissões, o governo poderá acelerar a ratificação de acordos, sobretudo daqueles que lhe são prioritários.

Além disso, a ação do tripé Serra-Aloysio-Vilela poderá permitir que o governo atual desconstrua no âmbito externo a imagem do Brasil dos golpistas que o grupo ainda vinculado à gestão anterior, tem conseguido “vender” lá fora. Um exemplo claro disso foi a viagem do ex-assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, a Buenos Aires na semana em que o chanceler tucano inaugurava sua agenda externa.

José Serra foi hostilizado na capital argentina e não importa se por 40 ou 400, pois o que os jornais deram foi o fato em si. Outros protestos contra ele estão sendo arquitetados de acordo com as viagens que realizará. Os mais próximos do Corpo Diplomático são justamente o deputado e o senador e eles poderão contribuir neste processo.
Para que o tripé funcione a contento, será preciso mais que boa vontade. Os presidentes das comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional das duas Casas do Legislativo também precisam saber das prioridades e do planejamento de Serra à frente do Itamaraty. E com relativa antecipação.

Essa trinca dura apenas até fevereiro do próximo ano. Depois, sabe-se lá quem serão os próximos a comandar no Congresso, os temas internacionais.

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