ajuste

Posição honrosa

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Consultoria técnica especializada norte-americana fez uma previsão interessante: no ano 2050 a maior economia do mundo será a da China. Em segundo lugar estará a Índia e em seguida, os Estados Unidos. Na quarta colocação aparece a Indonésia e no quinto lugar figura o Brasil. Os quatro primeiros são países do oceano Pacífico. O Brasil é o único representante do Atlântico neste top five.

O estudo vai mais longe e aponta a Rússia em sexto, o México em sétimo, Japão no oitavo lugar. Alemanha e Reino Unido ficam com o nono e o décimo lugares. Definitivamente, com a honrosa exceção dos brasileiros, os países do Atlântico estão perdendo importância.

A Europa, com sua imponência e história, está vendo a banda passar. E a Índia, que já foi colônia inglesa, poderá assumir o papel de matriz. Ela deverá ser o motor da economia britânica.

Previsões são lançadas para confundir, provocar ansiedade e usualmente não resultam em nada de proveitoso. No mais das vezes revelam-se erradas. Essa é interessante porque pega a maré montante da economia internacional.

Os países da área do Pacífico ostentam níveis elevadíssimos de crescimento econômico, com a China à frente. Não se presta muita atenção na Índia por causa de seus desequilíbrios históricos. No entanto, o país apresenta notável desenvolvimento na área de tecnologia, indústria forte e domina o ciclo nuclear. Possui bomba atômica e míssil capaz de lançá-la.

A presença do Brasil em posição de relevo entre os dez maiores surpreende. Será difícil chegar a 2050 com o produto interno bruto ao redor de oito trilhões de dólares. Para efeito de comparação a Argentina figura em 21º lugar na lista ao lado da Austrália. Entre os latinos, o Brasil deverá liderar com tranquilidade.

Mas para que isso aconteça, algumas ações precisam ser adotadas em Brasília e nas principais capitais estaduais do país. O presidente Temer indicou o senador Aloysio Nunes Ferreira para Ministro de Relações Exteriores. Ajuda a este objetivo. O paulista já viveu na Europa, foi exilado em Paris, conhece política e entende o que se passa no planeta. Não é neófito.

Osmar Serraglio, PMDB/PR, é parlamentar escolado, vivido, viajado e veterano de vários mandatos. Tem plenas condições de exercer as funções de Ministro da Justiça. Não é segredo para ninguém que a partir da próxima semana vai começar a pipocar nos noticiários da imprensa trechos das delações premiadas.

Os políticos estão no centro de uma gigantesca frigideira. Alguns não vão escapar. Outros serão chamuscados pela história. Marcelo Odebrecht, terceira geração da família no comando da empresa, transformou-se no acusador geral da República. Ele pagou as contas da política brasileira. Sabe para quem, quando e como.

Especulações em Brasília transitam em diversas variantes, latitudes e longitudes. O presidente Temer naturalmente está contra a parede, porque seus principais auxiliares foram atingidos por doença ou acusações originárias das investigações procedidas pelo pessoal da Lava-Jato.

No entanto, o presidente sabe lidar com o Congresso e mantem folgada maioria nas duas casas. Tem driblado as crises com aparente serenidade. Não se excedeu, não se irritou, nem perdeu a medida das suas obrigações.

Neste sentido, o presidente Temer tem se mantido no nível de seus desafios. Até agora o país caminha em paz apesar dos notórios desentendimentos na área política. O antigo tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, foi condenado, de novo, agora a pena de cinco anos.

Poderá recorrer em liberdade. Mais um nome do PT desaba. A ex-presidente Dilma nega, com veemência, as declarações de Marcelo Odebrecht. Ela melhor faria se ficasse calada. Cada nota oficial sua provoca mais desmentidos e problemas colaterais.

A conjuntura brasileira não é fácil para ninguém. Veteranos ou principiantes. Inquéritos pipocam em todos os quadrantes. Muita gente na linha de tiro, um governo pleno de dificuldades, mas, ao contrário das expectativas nacionais, os estrangeiros, que conhecem bem o Brasil, apostam no país. É contraditório.

Nos últimos cinquenta anos, foi uma das economias que mais cresceu. A modificação da vida no território nacional é notável. Imensas glebas foram incorporadas ao mercado. O agronegócio transformou-se em luminosa realidade, indústrias começaram a produzir em diversos estados brasileiros.

A crise recente, que produziu um desemprego gigantesco, tem explicações objetivas. Obtusidade córnea dos dirigentes. Se o governo não atrapalhar, prepare um bom champanhe para comemorar no réveillon de 2049. É o que dizem os norte-americanos.

Publicado no Correio Braziliense em 03/03/2017

 

 

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