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Projeto presidencial de Doria foi “implodido”?

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A estratégia traçada pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), para se cacifar como candidato ao Palácio do Planalto no ninho tucano encontra dificuldades significativas.

Pesquisa Datafolha divulgada no último domingo (08) mostra que a popularidade de Doria vem caindo desde abril. Nos últimos seis meses, a avaliação positiva (ótimo/bom) do prefeito caiu 11 pontos percentuais (43% para 32%).

Por outro lado, a avaliação negativa (ruim/péssimo) cresceu seis pontos (20% para 26%). Também aumentou a avaliação regular nesse período: sete pontos (33% para 40%).

Na comparação com fevereiro, a queda na avaliação positiva é ainda mais acentuada: 12 pontos (44% para 32%) enquanto o índice negativo aumentou 13 pontos (13% para 26%).

Mesmo que a estratégia de Doria tenha funcionado a ponto de o ter projetado nacionalmente como um pré-candidato a presidente da República, as dificuldades orçamentárias da prefeitura impedem uma prestação de serviços públicos mais eficiente, sobretudo na área da saúde, principal demanda dos paulistanos.

Como consequência, hoje, segundo o Datafolha, apenas 18% dos entrevistados votaria em João Doria para presidente. A maioria (55%) diz que não votaria no prefeito.

João Doria perde terreno para Alckmin

Com isso, Doria perde terreno para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), justamente na cidade em que se elegeu prefeito em primeiro turno no ano passado e onde é mais conhecido. A sondagem do Datafolha mostrou que 45% dos paulistanos prefere que Alckmin seja o candidato tucano ao Planalto. 31% prefere quer que o nome do PSDB seja Doria. E 20% não quer nenhum dos dois.

Além de não ser o preferido da cúpula nacional do PSDB, Doria começa a ser atingido pelo “fogo amigo” vindo de tucanos históricos. Nesse final de semana, por exemplo, o ex-governador Alberto Goldman (PSDB) afirmou que a capital paulista está sem prefeito devido as pretensões presidenciais de Doria, que nos últimos meses intensificou suas viagens pelo Brasil e no exterior.

A reação de Doria, que chamou Goldman de “improdutivo” e “fracassado” foi mal calculada, pois passou uma mensagem de arrogância. Além disso, ampliou a dimensão da divisão interna, pois a discussão ocorreu via redes sociais.

A eleição de 2018 ainda está distante da agenda. Porém, nesse momento, João Doria passa por um momento de fragilização. Doria, que tem defendido a realização de pesquisas para medir qual o nome do PSDB tem mais densidade eleitoral, está perdendo força justamente nesse terreno.

Ainda é cedo para decretar a “morte” do projeto presidencial de João Doria. Porém, a aposta feita pelo prefeito de, a partir de uma gestão bem avaliada, aumentar sua popularidade em São Paulo e crescer sua intenção de voto nas pesquisas não funcionou. Como consequência, Geraldo Alckmin ganha mais pontos no embate interno.

Mantido esse cenário, talvez a viabilização da candidatura de Doria ao Palácio do Planalto somente possa ocorrer através de outra legenda, pois o clima interno está bastante adverso para o atual prefeito no PSDB.

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