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Protestos: para o governo, poderia ter sido muito pior

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Os protestos realizados neste domingo em mais de dez capitais não representaram maiores danos para o presidente da República, Michel Temer. As críticas concentraram-se no presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que virou réu de ação penal no STF. No Congresso Nacional, devido à votação do pacote de medidas anticorrupção. E na defesa da continuidade da Operação Lava-Jato.

Temer já havia sido poupado de vaias durante o velório coletivo dos atletas da Chapecoense. O evento, extremamente delicado por causa da comoção mundial que a tragédia causou, ocorreu no último sábado. Temendo uma reação negativa, o presidente cogitou não comparecer. Primeiramente ele participaria de uma cerimônia reservada no aeroporto com familiares das vítimas. No entanto, o possível não comparecimento gerou uma reação ainda pior. Além de Temer, Ronaldo Nogueira, ministro do Trabalho e Leonardo Picciani, do Esporte, também vieram a Chapecó, juntamente com o comandante da FAB.

Protestos pós-impeachment

O retorno da população às ruas, embora numa intensidade bastante inferior ao registrado em 2013 e nos eventos que turbinaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, deve ser visto como um alerta para o Palácio do Planalto. Há de se considerar, principalmente, o grau de insatisfação da população com a crise econômica e a tentativa de desconfiguração do pacote anticorrupção por parte da Câmara.

As manifestações abrem uma oportunidade para Temer ganhar pontos com as ruas. Político experiente e hábil negociador, ele deverá a assumir a linha de frente e fazer o possível para derrotar as modificações do pacote anticorrupção no Senado. Diante desse ambiente, o espaço para o Congresso continuar debatendo agendas contra o Ministério Público vão diminuir.

No cenário atual, o Planalto tem procurado evitar o surgimento de eventos que representam mais focos de instabilidade política. As medidas do ajuste continuarão avançando. A PEC dos Gastos deverá ser aprovada ainda neste ano.

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