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O Brasil tem uma agenda em busca de um líder

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O PSDB está sendo observado atentamente por analistas políticos, jornalistas e parte da sociedade como o termômetro que indicaria a real situação do presidente Michel Temer. O partido fica ou sai da base aliada? Essa é a pergunta que todos fazem e para a qual aguardam respostas. No entanto, talvez não deva ser a pergunta correta a ser feita.

Para saber mais sobre a crise política e sobre a delação da JBS contra Temer leia:
PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A CRISE POLÍTICA
OS PRESIDENCIÁVEIS
TEMPOS ESTRANHOS

Nos corredores do Congresso Nacional, no início de 2016, os deputados federais Bruno Araújo, Antonio Imbassahy e Carlos Sampaio, todos do PSDB, iniciaram a jornada que culminaria com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Naquele momento, o PSDB estava se preparando para articular o processo de impeachment, mas não estava ainda decidido se apoiaria formalmente Michel Temer na cadeira da Presidência. Não foram poucas conversas e, pelo menos no início, o senador (ex?) Aécio Neves foi contra essa aliança formal.

“O PSDB não se aliou ao presidente Temer como pessoa. Nem se aliou ao PMDB como partido. O PSDB aliou-se a uma agenda. Não importa quem esteja adiante dessa agenda”, afirma um parlamentar tucano.

O dilema a respeito de um eventual desembarque do PSDB tende a ser mais pessoal do que do que qualquer coisa. A avaliação é: até que ponto o presidente Temer será capaz de prosseguir com as agendas das reformas e da recuperação econômica?

PSDB dividido. Desembarcar ou não?

Isso, hoje, é o que separa importantes grupos tucanos que defendem a permanência daqueles que defendem a saída. Para o grupo que defende a saída, não se trata de uma saída em si, mas um indício de que o partido não se oporia ou buscaria evitar a saída do presidente. Para aqueles que defendem a permanência, o PSDB mantém sua lealdade a agenda e permanece a postos, com Temer ou sem Temer, logo não há necessidade de formalizar um desembarque.

Hoje, um ano depois, cabe ao próprio PSDB decidir sobre a continuidade da existência prática do governo. A bússola que orienta a manutenção da aliança chama-se “reforma”, mais precisamente Reforma da Previdência em primeiro lugar e Reforma Trabalhista em segundo. Para um deputado tucano, “sem as reformas, não teria por que fazer parte do governo”.

“Há um grupo entre os tucanos envolvendo alguns senadores, governadores e deputados, que estão dispostos a arriscar”, disse um desses deputados. Arriscar em que sentido? No caso de o presidente deixar o cargo, esse grupo de tucanos aposta em uma estratégia em que o “presidente-tampão” seria do próprio PSDB e faria a ponte viável para uma candidatura sólida em 18. “Só falta combinar com os russos”, afirmou um pemedebista que não vê a saída como viável. “Existem tantas variáveis que adotar esta estratégia agora poderia ser um tiro no pé. Estar com o governo e lutar até o fim pelas reformas seria a melhor opção para eles”.

Publicado no GQ em 25/05/2017

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