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O PSDB de Tasso admite erros. O PT de Gleisi prefere omiti-los

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O senador Tasso Jereissati, no comando interino dos tucanos, resolveu bancar propaganda nacional e forjar um bordão: “O PSDB errou”. A senadora Gleisi Hoffmann, presidente eleita do PT, foi no sentido oposto: “Não vamos ficar enumerando os erros que achamos”. Quem é o demagogo?

Tasso, pois finge arrependimento? Gleisi, porque visa camuflar os malfeitos? Ambos, afinal são políticos?

O senador, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, usou a prerrogativa do cargo para esgarçar a conflagração intestina do tucanato. Ao mesmo tempo, envolveu as principais legendas quando criticou o “presidencialismo de cooptação”.

O programa de TV diagnostica a enfermidade do nosso modelo lembrando que dois dos quatro presidentes eleitos pelo voto direto após a redemocratização foram depostos.

Seu gesto estimula quem quiser a enumerar os erros da sigla que comandou o Brasil por oito anos. A “cooptação” é uma realidade desta fase mais longeva da democracia brasileira, e que parece acentuar-se a cada novo mandatário.

Genuflexão pública

A senadora que, diante do declínio moral do petismo, adotou a artilharia verbal como tática motivacional das hostes que restaram fiéis, argumentou: “Não somos organização religiosa, não fazemos confissão de culpa”.

Não negou que houve erros, mas que o PT não vai enumerá-los como forma de evitar a “exploração” pela “direita”. Como no mensalão, o partido furtou-se a encarar os desacertos.

Ao expor a sigla à penitência, Tasso provocou uma catarse incomum advinda de programas partidários cujos roteiros são a mesmice. A não ser que se tome o “coronel” de cinco mandatos por ingênuo, as consequências de sua genuflexão pública não o surpreenderam. Expôs e expôs-se.

Com sua estratégia, Gleisi evitou a dolorosa confissão de culpa e buscou levantar o ânimo cabisbaixo da militância – pelo menos daquela que não encara os malfeitos como estratégia de poder. Arrepender-se publicamente significaria admitir a burla de um dos pilares que erigiram o PT: a esperança, agora em ruínas, de que a política poderia ser exercida com ética. Homiziou-se.

As contradições tucanas, assim, sangram em praça pública. Petistas, como sói acontecer, tentam ocultar as suas sob à sombra de Lula, talvez o último esteio da chamada esquerda. Mesmo os partidos seus dissidentes, formados de costelas do PT, transformam-se em penduricalhos do lulismo – sem o qual teriam existência precária.

Verdade & mentira

Pode-se assumir as dores do PSDB, criticando um erro estratégico da propaganda; afinal, marqueteiros são pagos para criar mundos de fantasia. Pode-se aproveitar para debater e expor os desacertos de uma sigla, que, em boa monta, são os do sistema de aliciamento engendrado sobretudo por PSDB e PT, já que a dupla, desde FHC e Lula, moldou para o bem e para o mal o Brasil que vivenciamos.

Ou pode-se jogar as falhas que ambos cometeram, com o auxílio do PMDB, para debaixo do tapete. Neste caso, estaríamos referendando a teoria de Razumíkhin, amigo de Raskólnikov, protagonista de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski: “Quem mente chega à verdade!”.

À saúde da política interessa saber como substituir o atual modelo que, na melhor das hipóteses, atrasa o desenvolvimento do País e, na visão mais pessimista, congela o progresso. E, como consequência perversa, fomenta a injustiça social. A autocrítica, se sincera, é apenas um começo promissor.

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