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PT e Lula: hora de virar a página e começar a inspirar as pessoas

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O ex-líder do PT, o senador Humberto Costa deu uma entrevista à revista “Veja” que está nas bancas. É para Lula ler e pregar na parede. “O PT foi fragorosamente derrotado. O resultado das eleições municipais obriga a gente a virar essa página”, disse Costa. “Não dá para ficar só no discurso do golpe. O PT tem que fazer uma profunda autocrítica, refazer-se e apresentar um novo projeto”, completou.

É tão lúcido que ofusca. O partido deveria aproveitar esse enredo, ir para as ruas dançar seu Carnaval e voltar na Quarta-Feira de Cinzas com o novo discurso. Uma das coisas que mais desfiguraram o PT há dois anos foi a súbita mudança de proposta econômica sem explicação. Apesar da fraude fiscal perpetrada pela ex-presidente Dilma Rousseff, eis a principal razão do impeachment. Então, é hora corrigir os erros do passado que teimam em assombrar a legenda.

Tucanos têm software (sabem estabilizar a economia), petistas têm condução (Lula sabe mandar). Um e outro detonaram parte de tal patrimônio nos últimos anos e precisam parar de ficar tergiversando enquanto o país sofre com a crise devastadora e a fila anda. É preciso trabalhar de forma dura e criativa. O PSDB está tentando dar seu jeito.

Trabalho político, por exemplo, é o que não falta, sempre. Apesar de Michel Temer dispor de uma base que conta 400 parlamentares na Câmara, se a oposição começar a minar a proposta de reforma da Previdência é claro que a repercussão será negativa. O viés pessimista pode contaminar o cenário, o mundo político, ficar nervoso, e o monitoramento do mercado, enrijecer.

O trágico, no entanto, é imaginar quem ganharia com isso. Lula, dirão, diante de recente pesquisa CNT/MDA. O ex-presidente tem a preferência de 30,5% dos eleitores diante da queda de todos os seus adversários, exceto Jair Bolsonaro, a suposta novidade da hora. Digo trágico porque houve quem tenha saudado a notícia como um evento.

Grande vitorioso na eleição municipal de 2016, o PSDB continua com dificuldades quando o assunto é 2018. Os dois presidenciáveis tucanos mais fortes (o senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin) figuram atrás de Lula e da ex-senadora Marina Silva (Rede). Ainda assim, que novidade penosa para a política brasileira!

Reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” de domingo sobre a recuperação da economia afirma que, embora o cenário tenha melhorado muito e apresente boas perspectivas para o crescimento do PIB neste ano, más notícias demoram a ir embora.

Por exemplo: entre 15 e 20 empresas médias importantes desaparecem mensalmente no Estado de São Paulo. Trata-se de um número ainda muito elevado, que embute a assustadora estatística dos 12 milhões de desempregados e não oferece qualquer alento para o futuro de famílias e jovens que, na hora da eleição, buscam uma ideia nova em que votar.

Quando nos aproximamos dos desdobramentos sociais da política econômica do PT que produziu essa monstruosa destruição da economia real, é impossível imaginar como qualquer político, inclusive Lula, pode tirar proveito da situação e reeleger-se. Não há como olhar para uma pesquisa eleitoral como a da CNT/MDA e dizer “Lula não morreu. Lula está na frente. O velho Lula está de volta”. Ainda que se saiba que em política tudo é possível.

Como diz o senador Humberto Costa, é hora de virar a página, trabalhar uma ideia, lutar por ela, convencer as pessoas, inspirar. Pois nem PT nem Lula têm inspirado as pessoas. A não ser lavar propina a jato nos cofres da Petrobras.

Publicado n’O Tempo em 22/02/2017

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