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O perigoso jogo da oposição

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Assim como as espessas camadas de fumaça túrbida encobriam a visão de algum destemido transeunte na tarde da última quarta, 24, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a oposição aposta no diversionismo como tentativa de fugir de seu declínio. Para tanto, joga cortinas de fumaça sobre o cada vez menos translúcido cenário político nativo.

Com este intuito, não se acanha no uso da intimidação. Na terça, 23, partiu para a obstrução física na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, que tentava votar a reforma trabalhista.

O êxito parcial da tática guerrilheira adotada na véspera por senadores encorajou deputados a partirem para a ocupação da Mesa da Câmara. A estratégia, anuncia o senador Lindbergh Farias (PT), “está funcionando” e vai prosseguir, registra a jornalista Lydia Medeiros, d’O Globo.

Da tribuna, opositores ao governo reformista do presidente Michel Temer bradavam palavras de ordem carcomidas a defender o “povo ordeiro” que protestava a poucos metros do Salão Verde da Casa. Lá fora, nos extensos gramados ainda verdejantes, mas que logo serão descoloridos pela aridez iminente que cobrirá Brasília, turbas de militantes profissionais.

Sinecura vitalícia

Povo e ordeiros é o que menos se avistava. Na maioria, pelegos sindicais lutando pelo imposto que lhes garanta a sinecura vitalícia. Correndo ao lado, hordas de arruaceiros a depredar o patrimônio público, sublegendas convenientes à sinistra.

Os conflitos foram potencializados por policiais militares incapazes de distinguir pelegos em ordem-unida e jornalistas no exercício da profissão de vândalos encapuzados. Michel Temer, o presidente acuado, atiçou ainda mais o discurso oposicionista ao transformar soldados do Exército em sentinelas da Esplanada. O dispositivo constitucional revelou-se politicamente desastroso em se tratando de um mandatário encurralado.

A oposição não tem votos no Parlamento. Tendo como referências o impeachment da presidente Dilma Rousseff e as eleições municipais de 2016, tampouco os têm nas ruas. Nada a ver com Lula, dono de um incomparável contingente de idólatras. Tampouco com desejos difusos como as eleições diretas, brado da sociedade contra todos os políticos.

Falseia, assim, a sinistra ao arvorar-se representante dos trabalhadores. Não os representa, se não a camada que precisa de ração composta por recursos públicos ou espúrios, estes últimos esmiuçados por Marcelos e Joesleys, a elite com a qual PT e satélites aninharam-se numa simbiose predadora do patrimônio público e da esperança na política exercida com ética, que um dia representou.

Como acredita que muito tem a perder com as reformas que encaminhariam o País para o século XXI, descontados os exageros nos projetos de Temer e que precisam ser aparados, a oposição parte para um jogo que mira a razia. Sobre terra arrasada, quase tudo fenece.

Meliantes do erário

O alvo imediato é sepultar o governo Temer e suas reformas. De quebra, tentar dissolver a Lava-Jato. Na cortina de fumaça, todos os gatos parecerão pardos e as nódoas de safadeza de quem já representou a esperança de que a política podia ser exercida por militantes por princípio e não por políticos sem princípios se diluirão.

O perigo desta estratégia é a impossibilidade de controlar seus desdobramentos. O poder no Brasil hoje, diante da fragilidade do governo Temer, é exercido por um Executivo que conduz uma nau sem leme, um Judiciário que não se limita a interpretar a lei, mas conduzi-la pelos desvãos da política e um Ministério Público decidido a faxinar a política justamente a partir de vieses políticos, à esquerda e à direita.

Nesta barafunda, o Congresso Nacional, o poder mais permeável à opinião pública e o único que pode ser plenamente renovado, vai se desmilinguindo. Como o vácuo inexiste num país de orçamento avantajado (R$ 3,5 trilhões em 2017), a representação popular pode migrar, fazendo de procuradores e juízes representantes de todas as vontades. Só que vitalícios e com gabinetes praticamente indevassáveis.

Partindo para o confronto desmedido, a sinistra sinaliza aposta no caos. Com carência de votos e de apoio popular, assistindo seus próceres rumarem aos cárceres que, de maneira inédita, cada vez mais abrigam meliantes do erário, pouco tem a perder. A não ser a decência, se é que lhe restou alguma.

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