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Futebol e política: paixões nacionais

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O futebol, assim como a política, depende de fatores internos e externos, múltiplas variáveis que podem ser medidas, controladas e outras que estão ligadas ao imprevisível fator humano.

A seleção brasileira que amargou algumas temporadas de descrença, desde o 7×1 contra a Alemanha, está invicta há 6 jogos. A um passo de conquistar a vaga para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

Os otimistas dirão que a seleção redescobriu a vontade de jogar, o jogo bonito, o “futebol arte”. Os pessimistas dirão que os jogadores milionários não fazem mais do que a sua obrigação e que de nada adianta ganhar jogo que não vale campeonato. Os realistas verão que essa sequência de vitórias tem um motivo claro e um nome: Tite.

Tite, assim como Temer, entrou em campo em um momento de crise. Podemos traçar alguns paralelos entre a trajetória do atual técnico da seleção e os desafios do comandante da nação.

A confiança na liderança

Em todas as entrevistas com titulares, reservas e aspirantes à seleção, o elogio padrão ao técnico da seleção é a confiança que ele passa para jogadores e equipe técnica. Temer tem batalhado conquistar essa confiança com aprovação da sua agenda de reformas.

DESAFIO: agradar o mercado, os interesses do Congresso e ao mesmo tempo satisfazer a opinião pública é praticamente impossível.

Respeito aos adversários

Todo boleiro sabe que pode ser fatal entrar em campo no clima de “já ganhou”. Ser o favorito, ou jogar com um time notadamente mais fraco, abre espaço para um jogo relaxado. O Brasil poderia ter caído na tentação de menosprezar o time do Peru, mas obteve uma vitória importante por 2 a 0. Vencer a Argentina, primeiro colocado no ranking da FIFA, por 3 a 0, poderia ter enchido a bola da seleção. Mas a experiência de Tite falou mais alto. O técnico não experimentou jogadores novos do banco, não baseou o trabalho da equipe em um só jogador estrela (Neymar). No jogo, Tite tinha uma estratégia específica para vencer a seleção peruana, sem improvisos.

O Palácio do Planalto precisa definitivamente identificar e encarar os adversários às reformas e ao avanço do país. Apresentar uma pilha de PECs e MPs que atolam o Congresso e temer a obstrução da oposição ou a reação deste ou daquele cacique não é produtivo. Da mesma maneira, ignorar a torcida (contra ou à favor) e menosprezar protestos populares ou ocupações nas escolas e universidades, produz uma imagem autoritária e isolada das demandas da população.

DESAFIO: Tornar mais transparente o diálogo com todas as camadas sociais, setores produtivos e governamentais. Identificar as prioridades e desenvolver estratégias específicas para cada desafio.

Metas claras

O Campeonato Mundial da Rússia é só em 2018 e Tite sabe que seis vitórias agora não garantem um time vencedor em 18 meses. O trabalho é jogo a jogo, para selecionar o melhor conjunto de jogadores e observar os adversários, que também estão se classificando e preparando para a Copa do Mundo. O técnico da Alemanha disse que o brasil superou o 7×1. Questionado, Tite respondeu: “A afirmação é do Löw, fala com ele, temos que trabalhar para classificar para o Mundial. Ele que responda. Estamos em busca de repetir desempenho e performance (…) eu gostaria de ter algo mais sólido, quando acabar as eliminatórias falarei em que estágio estamos.”

O Brasil precisa atacar a crise em várias frentes, mas Temer sabe que nem todas podem ser resolvidas agora. Evitar projeções irreais e estabelecer metas factíveis vai trabalhar a confiança e o avanço sólido do país.

DESAFIO: Emplacar as reformas e mostrar o caminho por onde o Brasil sairá da crise.

Em todos os cenários o sucesso de Temer e de sua equipe dependem de um trabalho sequencial, consistente e duradouro. Mas, assim como o trabalho de Tite na seleção podemos observar os avanços jogo a jogo, o resultado final de toda essa jornada só saberemos em 2018.

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