eleicoes-2018

Sem dinheiro para os rábulas

Imprimir

O Estadão publicou no último dia 27 de março levantamento sobre a posição de 14 candidatos à Presidência da República em relação à possibilidade de prisão em segunda instância. A chamada esquerda votou contra a atual, e frágil, jurisprudência.

Entre os postulantes, 7 são favoráveis (DEM, Podemos, Novo, PRB, Rede, PSL, PSDB), 4, contrários (PT, PDT, PCdoB, PSOL), 2 sustentaram que cabe à Suprema Corte decidir (PMDB, PSD), 1 não foi localizado (PTC). O matutino ignorou os aspirantes do PRTB e do PSDC, dos folclóricos Levy Fidelix e José Maria Eymael. veja

 

Os presidenciáveis dos principais partidos na mira da Lava-Jato – PSDB, PT e PMDB – se dividiram. Geraldo Alckmin é favorável, Lula é contra, Michel Temer optou pela coluna do meio.

Duas conclusões a partir do levantamento.

A primeira indica que a proposta do deputado Alex Manente, que inclui na Constituição a possibilidade de prisão em segunda instância, não será facilmente aprovada – noves fora a intervenção no Rio que proíbe emendar a Constituição. Afora o presidenciável Geraldo Alckmin nenhum outro postulante de partido relevante defendeu a iniciativa.

Há que considerar, ainda, que a caterva enrolada dentro de cada agremiação pode se insubordinar à preferência do seu presidenciável. Por fim, o artigo 5º da Constituição, alvo da proposta de Manente, é cláusula pétrea, ou seja, não pode ser alterado. Tiro n’água.

Meliantes do erário

A segunda conclusão é que a chamada esquerda se uniu em favor do sistema antigo, aquele em que muito dificilmente um condenado endinheirado era privado de liberdade. Já os pobres eram, e continuarão sendo, candidatos preferenciais à privação de liberdade – mesmo sem condenação.

Foi a Operação Lava-Jato (com sua fúria condenatória) aliada à decisão do STF em 2016 (permitindo a prisão em 2ª instância) que levou pela primeira vez na história do Brasil a elite branca, rica e corrupta a padecer a falta de liberdade. Com a volta do sistema anterior, a patuleia, sem acesso nem mesmo a rábulas, continuará penando nas masmorras de Cardozo.

Já os brancos ricos voltarão a procrastinar ad aeternum o encarceramento. Desta grei, farão parte meliantes do erário de todos os matizes, inclusive camaradas da sinistra, aquela que converteu militantes por princípio em políticos sem princípio.

Sobrevivência ou convicção. Tanto faz. O resultado será o mesmo. Ricos soltos, pobres presos.

 

* Itamar Garcez é jornalista

Loading Facebook Comments ...

Artigos relacionados

Sem dinheiro para os rábulas


O Estadão publicou no último dia 27 de março levantamento sobre a posição de 14 candidatos à Presidência da República em relação à possibilidade de prisão em segunda instância. A chamada esquerda votou contra a atual, e frágil, jurisprudência.

Ler mais

O Sistema Político Brasileiro faliu e precisa ser reinventado


O Sistema Político Brasileiro, por razões estruturais e operacionais de suas instituições, é um dos mais complexos, fragmentados, caros e ineficientes do mundo. Ademais, o Parlamento convive diuturnamente com episódios de corrupção, vulnerabilidade aos lobbies e captura pelo Executivo.

Ler mais

Os ratos da Lava-Jato e o apartheid carcerário


Quando decidiram que era tarde da noite para decidir sobre a prisão em segunda instância, os juízes da Suprema Corte abriram uma brecha para a soltura dos meliantes do erário. Se decretarem a alforria de ladrões graúdos, os onze supremos sufetas estarão sepultando a Lava-Jato.

Ler mais

A lógica do paternalismo e o Estado controlador


A influência que a esquerda exerce sobre as redações, a academia e o mundo artístico propaga conceitos ideológicos como se fossem verdades certificadas. Quem discorda é patrulhado por “especialistas” arregimentados pela mídia em geral – que, mais das vezes, busca quem confirme sua tese.

Ler mais