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Sucessão da Câmara: Maia pode vencer em primeiro turno

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Depois de conquistar o apoio de nove partidos e ver o deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF) suspender sua campanha pelas dificuldades encontradas para atrair aliados (Rosso foi abandonado até mesmo por sua legenda, o PSD), o atual presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), fortalece seu favoritismo e tem boas condições de conseguir se reeleger para o posto já no primeiro turno.

Conforme podemos ver na tabela abaixo, mesmo que Maia não tenha o apoio formal de PT e PCdoB – partidos que, por conta das pressões exercidas pelas bases, poderão optar por apoiar o deputado André Figueiredo (PDT-CE) –, ele contabilizaria 266 votos, ou seja, nove a mais que os 257 necessários para vencer em primeiro turno.

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O potencial de votos de Maia é ainda maior se considerarmos que o PMDB, que possui uma bancada de 65 deputados, deve votar majoritariamente no atual presidente da Câmara. Com isso, ele contabilizaria nominalmente 331 votos.

A adesão de partidos que compõem o chamado Centrão (PSD, PR, PP e PRB) a Rodrigo Maia enfraqueceu não apenas Rosso, que poderá desistir da candidatura, mas também o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que hoje teria nominalmente apenas 52 votos.

Caso o PT, que tem uma bancada de 57 deputados, e o PCdoB, com 12 parlamentares, apoiem André Figueiredo (PDT-CE), ele poderia chegar a 90 votos. Nesse hipotético cenário, Figueiredo faria mais votos que Jovair.

Outra possibilidade, que foi defendida pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, e outras lideranças petistas é o PT, PDT, PCdoB procurarem o REDE e PSOL para uma aliança em torno de um candidato. Caso essa composição se confirme, teríamos 100 votos somados (57 do PT; 21 do PDT; 12 do PCdoB; 6 do PSOL; e 4 do REDE).

Aliás, caso haja segundo turno, hipótese hoje remota, André Figueiredo ou o candidato que surgir dos partidos de oposição ao governo Michel Temer teria mais chances de ser o adversário de Rodrigo Maia que Jovair Arantes, por conta da fragmentação do Centrão, consequência da ausência de seu líder unificador, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso.

Há ainda 39 votos a serem disputados (13 do PTN; 8 do PPS; 6 do PSOL; 4 do REDE; 4 do PTdoB; 2 do PMB; 1 do PSDC; e 1 do PRP). Mesmo que esses votos migrem para Jovair ou Figueiredo, serão insuficientes para evitar a reeleição de Maia em primeiro turno. Isso só não deve ocorrer caso muitos deputados dos partidos que o apoiam votem em outros candidatos. Mas, mesmo sendo uma votação secreta, o risco de traição é baixo.

Aliás, dado o favoritismo de Rodrigo Maia, o mais provável é que ele ganhe mais votos pelas possíveis “traições” de parlamentares a Jovair. À medida que esses deputados percebam que a vitória de Maia em primeiro turno é praticamente inevitável, a tendência é que abandonem Jovair e fiquem do lado vitorioso.

Nota-se que as vitórias em primeiro turno têm sido uma tendência nas últimas disputas pela presidência da Câmara. Nas últimas cinco eleições, quatro foram decididas em um único turno.

Os apoios somados, a perda de força de seus adversários e o histórico das últimas eleições pelo comando da Mesa apontam que a reeleição de Rodrigo Maia em primeiro turno é o cenário mais provável.

STF

O Solidariedade, em dezembro passado, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede que seja declarada inconstitucional a candidatura à reeleição de Rodrigo Maia. O objetivo da legenda é que o STF firme o entendimento de que a proibição prevista para a recondução do presidente da Câmara dos Deputados na mesma legislatura também se aplica ao deputado que tenha sido eleito para cumprir um mandato-tampão.

Não há data para que a ação seja julgada. Se julgar o mérito, a tendência é que o STF decida favorável à recondução.

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