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O Brasil em transição

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Para saber mais sobre a crise política e sobre a delação da JBS contra Temer leia:
O BRASIL TEM UMA AGENDA EM BUSCA DE UM LÍDER
QUEM MATOU A CIDADANIA FOMOS NÓS, QUE NÃO PARTICIPAMOS DA POLÍTICA
O TESTE DO TANQUE DE GASOLINA
A crise vivida pelo Brasil pode ser definida como um período de transição em que paradigmas entram em esgotamento e tem a instabilidade como característica. É o que ocorre atualmente em nosso país.

As dificuldades que o presidente Michel Temer encontra para governar após divulgação da gravação feita pelo empresário Joesley Batista, as articulações de importantes partidos da base aliada pensando no sucessor de Temer, a luta do presidente em permanecer no cargo, o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os protestos, as polêmicas jurídicas, e o risco de novas delações são alguns componentes dessa instabilidade.

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Nessa conturbada conjuntura, há hoje três possíveis cenários para a atual crise política. São eles:

CENÁRIO 1: Temer permanece no cargo enfraquecido

Caso Temer permaneça como presidente, é baixa a possibilidade do atual governo ter fôlego para reproduzir a força registrada em importantes votações no Congresso, onde relevantes matérias de interesse do país tiveram a adesão de mais de 60% do Legislativo.

Como se trata de um governo com baixa popularidade, que perdeu ainda mais força, o pouco que restou de capital politico está sendo utilizado para evitar a queda precoce de Michel Temer. Assim, dificilmente haverá espaço para Temer —ao mesmo tempo— se salvar e aprovar reformas que mexem com muitos interesses como a trabalhista e a previdenciária.

CENÁRIO 2: Queda de Temer traz incertezas

Outro desdobramento possível para atual crise —a queda de Temer— também trará incertezas. A começar que caso o presidente for derrotado no TSE, haverá uma polêmica jurídica se as eleições serão indiretas ou diretas, mesmo que a Constituição estabeleça que em caso de vacância do cargo nos dois últimos anos de mandato a eleição deva ser restrita ao âmbito do Congresso. Vale lembrar que mesmo no caso da eleição ser indireta, as regras para a disputa ainda precisam ser estabelecidas. Isso sem falar na possibilidade de Temer recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar manter seu mandato caso tenha um resultado adverso no TSE.

Além disso, embora a base aliada já debata o sucessor de Temer, ainda não há consenso sobre quem seria esse nome. Outro desafio, sobretudo para PSDB, PMDB e DEM, será liderar uma coalizão que dê continuidade a agenda de reformas iniciada pelo governo de modo a conquistar a confiança do mercado, do setor produtivo e da opinião pública em meio ao descrédito do sistema politico tradicional.

CENÁRIO 3: Manutenção do impasse jurídico e político

Há ainda um terceiro cenário possível. Caso haja pedido de vistas por algum dos ministros do TSE no julgamento da chapa Dilma-Temer, o presidente ganhará mais tempo dentro de sua estratégia de resistência, o que manterá o impasse jurídico e político pelo qual o país se encontra. Assim, caberia a base aliada encontrar uma saída para esse impasse. Porém, a construção desse consenso parece ainda não existir no mundo político.

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