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O governo na sucessão de 2018

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Quando Michel Temer (PMDB) assumiu a Presidência da República, começou a ser naturalmente também considerado um potencial candidato às eleições em 2018. Porém, diante da necessidade de avançar em reformas e tendo que gerenciar um governo de coalizão, Temer descartou disputar a reeleição.

A partir de então, dois nomes passaram a ser vistos como potenciais candidatos ao Palácio em 2018: o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD-SP), e o do então chanceler José Serra (PSDB-SP), que já deixou o cargo.

Hoje, Meirelles e Serra encontram-se desgastados e teriam dificuldades de viabilidade eleitoral numa disputa presidencial. Serra, além de já ter deixado o governo, foi citado nas investigações conduzidas pela Operação Lava-Jato.

Já Meirelles, além da lenta recuperação da economia, principalmente da recuperação do emprego, desgastou-se no recente episódio envolvendo a redefinição da meta fiscal.

Outro cotado como possível candidato a presidente do atual governo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), também acabou abatido pela Lava-Jato e perdeu espaço no tabuleiro sucessório.

Embora evite se posicionar como alternativa, Michel Temer poderá acabar disputando a eleição. Mesmo que seu governo seja mal avaliado, Temer controla o PMDB, um partido com bom tempo de TV e grande estrutura partidária, além de estar no comando da máquina.

Porém, pelo que se observa, após os desgastes de Serra, Meirelles e Aécio, o governo e o PMDB procuram um candidato. Aliás, não por acaso Michel Temer fez recentemente uma série de elogios ao prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), além de afirmar que as portas do PMDB estão abertas para ele.

Historicamente, desde a redemocratização, o Palácio do Planalto sempre tem candidato à Presidência. Em 1989, o candidato do governo José Sarney (PMDB) foi Ulysses Guimarães (PMDB), que obteve menos de 5% dos votos válidos.

Em 1994 e 1998, o representante governista foi o ex-presidente FHC (PSDB), que venceu as duas disputas em primeiro turno. Em 2002, Serra representou o governo FHC, mas foi derrotado por Lula (PT).

Em 2006, Lula disputou e conquistou a reeleição. Quatro anos depois (2010), a candidata do governo Lula foi Dilma Rousseff (PT), que venceu a disputa e reelegeu-se em 2014.

Ou seja, das últimas sete eleições presidenciais, o governo foi vitorioso em cinco (1994, 1998, 2006, 2010 e 2014) e derrotado em apenas duas (1989 e 2002). Em 2018, o candidato que representar o governo Temer ou tiver seu apoio começa a disputa em dificuldades, com um quadro muito parecido com o de 1989.

Porém, dada a imprevisibilidade da disputa, não devemos considerar o candidato governista “fora do jogo”, principalmente se o Planalto conseguir atrair alguém como Doria para sua órbita, construindo uma aliança competitiva em torno de seu nome.

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