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Cenários 2018: Michel Temer deve completar seu mandato

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O Tribunal Superior Eleitoral não deverá terminar de julgar a campanha da chapa Dilma-Temer antes de outubro de 2018. Com a força de Gilmar Mendes no tribunal e a nomeação de dois novos Ministros, após as saídas de Henrique Neves e Luciana Lóssio, a tendência é que o Tribunal leve o caso até após as eleições de 2018, garantindo assim eleições diretas.

Outro fator que o fará completar o mandato é que não existe um clima político para que o Congresso se vire contra o Presidente e apoie uma campanha de impeachment.

Temer possui uma base forte no Congresso (PMDB, PSDB, PRB, DEM, PP, PR) e ela deverá ser mantida para 2018. Alguns partidos podem tentar projetos alternativos, mas com a esquerda enfraquecida, a coalizão liderada por PMDB e PSDB tende a se consolidar com as siglas atuais.

O caminho até o próximo ano passa pela aprovação da Reforma da Previdência. Cerca de 60% da proposta atual deverá ser mantida e aprovada. A Câmara deve concluir votação até junho, enquanto no Senado a matéria deverá ser aprovada, sem mudanças, no segundo semestre.

A divulgação da Lista Fachin não terá grandes reflexos nas votações do Congresso, inclusive nas reformas. No máximo, vai atrasá-las. A intenção do governo era de uma aprovação em maio, mas pode acabar ficando para junho. O Governo aposta todas as fichas na Reforma da Previdência, mas também trabalha para mudanças importantes e pontuais na Reforma Trabalhista, mais simples por se tratar de um projeto de lei e não uma proposta de emenda constitucional (PEC).

A Lava Jato irá continuar, sem obstruções do Congresso, que perdeu timing para buscar uma anistia ao Caixa 2. O STF não deverá julgar os políticos com foro especial antes de outubro de 2018, com a fase de instrução podendo chegar a 2 anos. No entanto, as revelações das delações podem inviabilizar diversas candidaturas.

A tendência é que o ambiente político reflita na popularidade do presidente e a mantenha muito baixa. O Governo tende a chegar em 2018 vivo, porém fragilizado e apostando em uma coalizão com o PSDB para garantir um novo ciclo de poder para as duas principais siglas do País (PMDB e PSDB).

Em 2018 ainda será alto o índice de desemprego, mesmo com a indústria e o consumo recuperando os seus números.

A inflação deverá estar baixa com os juros continuando sua tendência de redução. O dólar deverá se manter na casa dos 3,07-3,15. O Banco Central atuará caso o dólar chegue a menos de 3 reais.

Variáveis que devemos considerar

A popularidade baixa e possíveis novos escândalos podem inflar a opinião pública e fazer com que ela pressione o TSE em busca de mudanças. Apesar de improvável, não se pode descartar uma decisão do TSE revogando o mandato de Temer. No entanto, tal cenário apenas se desenharia com forte pressão popular e protestos claramente direcionados ao Presidente Temer.

Protestos podem ganhar corpo, mas tendência é que ataquem a corrupção de forma geral, ou busquem mostrar apoio à Lava-Jato.

A opinião pública pode ser inflamada também por novas delações premiadas e o avançar das investigações na operação Lava Jato, principalmente com as menções de ministros e membros da alta cúpula do atual governo. A tendência é que Temer mantenha os Ministros citados nas delações até que, eventualmente, virem réus.

O governo precisará se defender e responder aos questionamentos e as acusações que virão da rua e dos delatores. A maneira com a qual ele precisará trabalhar irá se basear em publicidade e notícias positivas. Eventuais demissões de Ministros estão no radar, mas acontecerão apenas em situações críticas, para evitar derretimento da base.

Eleições 2018

A Chapa única “governista” – PMDB/PSDB

O pleito do próximo ano sofrerá influência da Lava Jato, principalmente para os maiores partidos. O candidato da chapa PMDB/PSDB deverá vir de quem a Lava Jato atingir menos, os nomes seriam: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; o senador e ex-ministro, José Serra; o senador Aécio Neves; ou o prefeito de São Paulo, João Dória. Existe ainda a possibilidade de um outsider (alguém de fora da política comum) concorrer por essa chapa, mas para tal, todos os quatro nomes anteriores precisariam ser inviabilizados, o que no momento não parece provável.

Dória começa a ter o seu nome pedido pelos mais jovens e pelos que se julgam contrários à velha política. Muitos desses eram eleitores de Marina Silva.

Dória, caso candidato, utilizará as redes sociais para ter uma melhor inserção na campanha. Algo que não deverá ocorrer com Serra, Alckmin ou Aécio, tendo em vista que Dória possui um carisma e uma aceitação maior entre os quatro.

Essa chapa precisará se distanciar do atual governo nas campanhas de televisão, internet e rádio. Abaixa popularidade de Michel Temer poderia afetar a campanha.

Dória é um nome que deve ser considerado, pois consegue unir o melhor dos dois mundos: é um outsider dentro de uma enorme estrutura partidária. Sua candidatura ganha força e ganhará ainda mais força caso Alckmin fique inviabilizado.

Os candidatos da esquerda

A esquerda ainda necessita de algumas definições para o seu candidato. Existe a possibilidade do PT lançar uma candidatura mais livre, provavelmente apoiada em Lula ou em alguém próximo a ele, caso a Lava Jato o impossibilite de se candidatar. Ciro Gomes também manifestou interesse em se candidatar pela esquerda e já vive momentos de campanha pelo nordeste do país.

O PSOL também pode lançar um candidato para o pleito, como vem fazendo nas últimas eleições. No entanto, não deverá ser um nome que faça barulho ou leve muitos votos no primeiro turno.

Uma variável para a esquerda seria a junção de alguns desses nomes para uma campanha mais focalizada. O PT e Ciro podem se juntar para criar uma chapa mais forte para a esquerda. Existe ainda a variável de todos os partidos de esquerda se juntarem e lançarem um nome, no entanto, o PSOL não deve aceitar esse caminho.

Apesar do bom recall de Lula, a esquerda recebeu um enorme recado das urnas em 2016 e deverá ter problemas para ter maioria.

O efeito Bolsonaro

Jair Bolsonaro deve concorrer à presidência em 2018, mas antes disso precisa encontrar um partido suficientemente grande para que possa ter tempo de propaganda.

O deputado andou tendo alguns desentendimentos com a direção do seu atual partido o PSC, principalmente após o caso de racismo, o envolvendo, em um evento da Hebráica em São Paulo.

Bolsonaro chegou a negociar sua ida para o PRB, mas a atual importância do partido para a base do governo poderá impedir a sua ida para se candidatar e retirar votos da chapa que seria considerada a governista.

Em algumas pesquisas, Bolsonaro chegou a aparecer com 9% das intenções de votos.

A persistência de Marina

Marina Silva deve sair candidata novamente. Dessa vez ela sairá com o seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade, e com o mesmo discurso das últimas eleições, onde pregou uma terceira via na política. Buscando distanciar-se do PT e do PSDB.

Marina acabou ganhando um rótulo de que apenas aparece para a política no período de eleição, o que acabou lhe prejudicando e perdendo o timming para alavancar o seu nome contra os envolvidos com corrupção.

A fragilidade de seu partido e a imensa dificuldade que tem de se aliar a partidos com pensamentos diferentes dificultam a viabilidade de sua candidatura. Com poucos deputados e consequentemente míseros segundos de televisão, a Rede tem poucos prefeitos e baixíssima capilaridade em território nacional. Marina precisará de algo que nunca ocorreu: uma vitória quase que exclusivamente escorada nas redes sociais.

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