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O amadurecimento da nova política

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Na década de 70, os americanos, que tudo estudam e sistematizam – mas nem sempre são lidos pelos brasileiros – explicaram o comportamento de indivíduos racionais que se associam para a obtenção de algum benefício coletivo.

Segundo Mancur Olson, em A Lógica da Ação Coletiva, o interesse comum dos membros de um grupo pela obtenção de um benefício coletivo nem sempre é suficiente para levar cada um deles a contribuir para a obtenção desse benefício.

“Mesmo que todos os indivíduos de um grupo grande sejam racionais e centrados em seus próprios interesses, e que saiam ganhando se, como grupo, agirem para atingir seus objetivos comuns, ainda assim eles não agirão voluntariamente para promover esses interesses comuns e grupais”, escreveu o autor.

Existem circunstâncias em que o indivíduo do grupo, sabendo que o benefício coletivo não lhe será negado independentemente de sua participação ou não, tende a se escusar, a fim de ampliar seu bem estar, deixando que os demais paguem pelos custos da obtenção do objetivo.

Meio século depois do estudo de Olson, cresce no Brasil o sentimento de que o benefício ao cidadão será, sim, negado se não houver engajamento. Por isso, uma série de movimentos se articulam para pressionar por uma agenda que inclui mais transparência nos gastos públicos, responsabilidade fiscal, segurança pública, educação entre outros temas.

São vários os exemplos desses movimentos – Transparência Partidária, Nova Democracia, Acredito. Na Europa a ideia prospera em alguns países.

Um grupo de empresários fundou o Renova. A ideia é criar um fundo cívico para ajudar no apoio a pessoas que pretendem concorrer a algum cargo eletivo. A contrapartida é a adesão a princípios como combate à corrupção e responsabilidade fiscal. Não há vinculação ideológica. A promessa é que a proposta seja suprapartidária.

O surgimento de tais movimentos deve-se, principalmente, à falência da representatividade política. Os constantes e sucessivos escândalos de corrupção, aliados à impunidade daqueles que desviam recursos públicos, motivam a mobilização da sociedade.

Em 2013, a população foi às ruas para cobrar melhoria na qualidade dos serviços públicos. De lá para cá foram inúmeras mobilizações, as quais o meio político assistiu atônito, absolutamente perdido. Muito pouco ou quase nada aconteceu de lá para cá.

Já não se acredita que “os que estão aí” sejam capazes de provocar as mudanças estruturais que o país precisa. O exemplo maior é a reforma política. Aprovada pelo Congresso no prazo limite para entrar em vigor nas eleições de 2018, ela favorece as legendas tradicionais e a renovação dos mandatos dos que “já estão aí”. A preocupação da maioria dos parlamentares foi garantir uma fonte de financiamento para suas campanhas eleitorais.

A participação maior dos novos movimentos sociais no debate político tende a dar enorme contribuição para a renovação política. E ela vem em momento crucial para o país, às vésperas das eleições de 2018, quando o eleitor votará para presidente da República, senador, deputado federal e estadual (distrital, no caso de Brasília) e governador.

Outro estudioso das manifestações políticas, Robert Dahl formulou o conceito de “poliarquia”. Ele diz que nas sociedades poliárquicas há ampla participação social e vasta gama de candidatos nas eleições. No nosso caso, ainda nos resta um longo caminho a percorrer a partir daqueles movimentos lançados para renovar a representatividade.

Apesar das barreiras que foram criadas e são erguidas diariamente para não chegarmos lá, o surgimento desses movimentos é um passo importante nesta direção.

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