politica

O crescente isolamento da Venezuela

Imprimir

Os chanceleres de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai decidiram nesta terça-feira que a Venezuela não assumirá a presidência rotativa do Mercosul como estava previsto.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro, José Serra, explicou que para os quatro países a Venezuela quebrou as regras e os compromissos assumidos no Protocolo de Adesão ao Mercosul.

Em termos oficiais, o país deveria ter se adequado ao conjunto de normas do bloco até 12 de agosto, quando completaram quatro anos de seu ingresso no bloco.

Nos próximos seis meses, a presidência será exercida conjuntamente pelos quatro membros fundadores autores da intervenção. Eles podem decidir sobre matérias econômicas e comercias, assim como a respeito de negociações com outros países ou blocos.

As punições à Venezuela não lhe permitirão assumir a presidência mais tarde. Conforme o documento assinado por Brasil, Argentina Uruguai e Paraguai, caso a Venezuela persista no descumprimento de obrigações, o país poderá ser suspenso do bloco a partir de 1º de dezembro de 2016.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no domingo, 18, reagiu sanção, e disse que seu país continuará sendo parte do Mercosul, mesmo que “filhos de ditadores, tentem fazer a Venezuela desaparecer como aconteceu com os jovens dos anos 70”.

No dia 29 de julho, a Venezuela anunciou que assumia a presidência rotativa. Na ocasião, o Brasil informou os demais países fundadores que em seu entendimento a presidência estava “vaga”, uma vez que não havia consenso sobre a Venezuela. Caracas chegou a hastear a bandeira do Mercosul na sede da instituição, em Montevidéu, e divulgou um comunicado afirmando que assumira a presidência rotativa.

O impedimento imposto aos venezuelanos ainda pode resultar em um aumento de pressão interna por parte dos opositores de Maduro em favor de um referendo revogatório de seu mandato.

Novos governos

A Venezuela é provavelmente quem mais sofre com a atual mudança ideológica da América Latina. Um a um os seus parceiros foram perdendo espaço no continente, com destaque especial para Argentina e Brasil.

Os novos governos latino-americanos têm uma tendência menos esquerdista, o que bate de frente com os pensamentos chavistas de Maduro, e retira o pouco respaldo que lhe resta no continente.

O relacionamento com o novo governo brasileiro não é dos melhores. Desde o afastamento de Dilma Rousseff, Nicolás Maduro se posicionou contrário a Michel Temer, chegando a acusá-lo de golpismo (narrativa utilizada pela sua ex-aliada no Brasil), e a tendência é que esse atrito fique ainda maior.

Economia

No campo econômico, o comércio entre os países sofreu uma queda entre janeiro e agosto desse ano, e com a posse de Michel Temer no Brasil, a tendência é que ocorra uma queda ainda mais expressiva, com uma grande probabilidade de que até o fim do ano as exportações bilaterais cheguem ao menor patamar registrado nos últimos anos, mais precisamente em 2005, quando o intercâmbio entre os dois países somou pouco mais de US$ 2,479 bilhões.

Com o passar dos anos, a Venezuela deixará também de ser um dos principais mercados para os produtos industrializados brasileiros e uma das maiores fontes de superávits comerciais para o Brasil.

O isolamento no Mercosul, que por enquanto vai se restringindo ao campo ideológico, pode se tornar ainda mais significativo, no final do ano, se o governo Maduro não cumprir os compromissos assumidos no Protocolo de Adesão ao Mercosul, especificamente no que se refere à incorporação ao ordenamento jurídico venezuelano de normas e acordos vigentes no bloco, resultando na exclusão do bloco.

Resta saber o que pesará mais para o governante venezuelano, o seu interesse em se manter no poder, respeitando os seus interesses ideológicos, ou ouvir outros países e principalmente a população que pede a sua saída.

Loading Facebook Comments ...

Artigos relacionados

Os três setores do sistema social no governo Bolsonaro


Com base nas propostas de campanha, no pensamento do presidente eleito, na visão de mundo e na trajetória das equipes (econômica, política e de infraestrutura militar), que darão rumo ao novo governo, bem como na grave crise fiscal em curso, é possível antecipar que o mercado será o mais beneficiado

Ler mais

Se for bem-sucedido, o STF pode ficar pequeno para Sergio Moro


Ao aceitar o cargo de ministro da Justiça do Governo Jair Bolsonaro, o juiz Sergio Moro dobrou a aposta no tabuleiro político brasileiro. Caso seja bem-sucedido, ele não se cacifa apenas para uma vaga no STF, mas pode almejar a Presidência da República.

Ler mais