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Diplomacia e intervenções estrangeiras

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Nesta segunda-feira, 18, em Nova York, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve a oportunidade de entender que o período de intervenções militares, pelo menos nesta parte do mundo, não conta com o apoio de nenhum líder que tenha as suas ações ligadas ao bom senso.

Ao convidar os presidentes da Argentina, Brasil, Colômbia, Panamá e Peru para discutir a crise na Venezuela, Trump esperava ouvir apelos para que os Estados Unidos interviessem naquele país, uma vez que a Venezuela caminha a passos largos para a desagregação completa.

No entanto, mesmo aqueles que são alvos permanentes da retórica chavista desestimularam o líder norte-americano a seguir nesta linha. A parceria com os Estados Unidos ainda é absolutamente necessária, mas o modus operandi tradicional encabeçado pelos falcões do Pentágono há muito deixou de ser ordem a ser simplesmente obedecida.

A América do Sul começa a dar passos objetivos em direção à uma nova guinada política ainda que muitos atores prefiram fechar os olhos para esta realidade. Ao que parece, a região conseguiu, apesar dos problemas existentes e da precariedade, sedimentar a ideia de que é possível resolver seus próprios problemas sem a necessidade de tutela exterior.

Uma coisa é aprofundar a cooperação e fortalecer o livre comércio extraregionalmente, outra diz respeito à imposição de determinadas práticas. Intervenções militares estão completamente fora da realidade. Os Estados Unidos precisam compreender isso.

No Brasil, não há apoio sequer para discutir essa alternativa quando a crise na Venezuela é o tema. É fato que a Política Externa Brasileira vem perdendo protagonismo desde a era Dilma e que no atual governo, a agenda é outra, mas ainda assim, tais ilações são descartadas de imediato. O mesmo ocorre em países como a Colômbia, apesar de Maduro voltar sua artilharia contra Juan Manuel Santos.

A crise venezuelana é grave e perigosa para o presente e o futuro daquele país e da região, mas não será a imposição da força que colocará fim à desordem. É preciso abandonar a preguiça de pensar e buscar alternativas novas e eficazes como forma de conter um regime que viola direitos humanos, encarcera oposicionistas e faz de tudo para impedir as liberdades em todas as suas esferas.

Além disso, o discurso de Donald Trump serve apenas para reoxigenar um regime cujo fim é iminente. A Venezuela está isolada politicamente. Como dizia no princípio, a região está experimentando mudanças significativas. A Bolívia, por exemplo, começa a dar passos objetivos em termos de reaproximação com o Brasil.

Há uma agenda que envolve o contrato de importação de gás, a construção de uma usina hidroelétrica binacional no Rio Madeira, a ratificação do Protocolo de Adesão da Bolívia ao MERCOSUL e a cooperação para o combate ao narcotráfico na fronteira comum. Para que tudo isso saia do papel, La Paz precisa baixar o tom em relação ao Brasil.

Além disso, Evo Morales teve a sua pretensão de buscar uma nova reeleição negada (ainda que não tenha desistido disso). No Equador, o atual presidente Lenín Moreno descola-se cada dia mais do antecessor Rafael Correa. No Uruguai, o vice-presidente caiu e há uma crise interna na Frente Ampla. O Paraguai acaba de passar por uma crise superada democraticamente contra a possibilidade de reeleição do presidente.

Por outro lado, os países membros da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia e Peru) vivem realidades econômicas e sociais muito positivas. Do ponto de vista bilateral e regional, Brasil e Argentina vão aparando arestas, resolvendo problemas comuns e assumindo cada vez mais o papel de líderes no âmbito do MERCOSUL.

É fato que ainda somos a região mais desigual do planeta e uma das mais afetadas pela corrupção. No entanto, o que estamos vendo é um quadro onde a diplomacia tem sobressaído.

É claro que os resultados tendem a demorar, mas quando aparecem são muito mais sólidos e perenes, e é preciso entender essa dinâmica. O que está falindo na região é um modelo sustentado no discurso fácil, mas também regimes que se valeram da preguiça daqueles que detinham o poder em pensar a longo prazo.

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