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Menos violência & mais emprego, as armas de Bolsonaro

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O capitão-mor Jair Bolsonaro vem antecipando, há quatro semanas, as políticas públicas do País a partir de 1º de janeiro, quando assumirá a presidência da República. Suas entrevistas e monólogos virtuais têm indicado o rumo para o meio ambiente, a política exterior e até a formulação das provas do Enem.

Mas, caso pretenda ir além do quinhão minoritário do eleitorado que o sufragou (39,23% do total), deve seguir os passos dos presidentes que o antecederam e conseguiram completar seus mandatos.

Fernando Henrique venceu duas eleições no primeiro turno. Consolidou a estabilidade da moeda e a responsabilidade fiscal – patrimônios que, apesar do PT, foram incorporados a nossa cultura econômica.

Lula, em seus dois mandatos, foi campeão de popularidade. Distribuiu renda e reduziu a desigualdade, mantendo baixo o desemprego.

Sem falar em Itamar Franco, fiador do Plano Real. Com ele, afora a sensação de poder de compra, o PIB manteve-se elevado.

Cada um deles fez mais do que isto. Mas o que lhes garantiu sucesso enquanto mandatários foi tratar com eficácia do essencial.

Sem falar que na política souberam domar o Parlamento. Mas isto é outra história.

 

Emprego e renda

Bolsonaro elegeu-se em cima de três promessas: redução dos índices de criminalidade, combate à corrupção e resgate dos valores e costumes tradicionais. Na economia, oscilou entre a pregação liberal de seu economista de estimação, Paulo Guedes, e o fantasma do estatismo – elo que o liga ao PT e aos generais ditadores de 1964.

Na economia, os bolsonaristas não são diferentes de outros eleitores. Querem emprego, inflação baixa e renda.

Não é tarefa fácil, mas o caminho aberto pelo presidente Michel Temer – que consertou os estragos da antecessora do vocativo imposto (“sim, presidenta”) – tornam a empreitada menos tortuosa. Bolsonaro vai herdar de seu antecessor inflação controlada, emprego ascendente e economia preparada para decolar.

Para deslanchar, o capitão-mor precisará reduzir o déficit bilionário e aprovar mudanças constitucionais. Se conseguir passar a reforma da previdência no Parlamento e, com ela, recuperar o equilíbrio fiscal, dá um passo decisivo rumo à popularidade e aos oito anos de mandato.

 

Novatos

Seguir-se-ia, então, o desafio do qual Bolsonaro não pode se esquivar. Salvo os desavisados, nenhum votante de Fernando Haddad (31,93% do eleitorado) esperaria redução significativa da violência urbana e rural num mandato do PT.

Por outro lado, os bolsonaristas exigirão do candidato eleito a redução dos crescentes registros de criminalidade. Em 2017, 60 mil assassinatos e 60 mil estupros (em números arredondados). Ignomínia de uma nação.

A insuportável sensação de insegurança impulsionou o capitão ao altar maior da política brasileira. A patuleia cansou-se das receitas, por infrutíferas, dos ativistas dos direitos humanos.

Simultaneamente, o presidente eleito precisará trancafiar meliantes do erário nas masmorras de Cardozo. Na percepção popular, a gaita que falta para combater o crime organizado, montar um hospital e bem remunerar um professor está no bolso dos corruptos.

É incontornável. Ou Bolsonaro reduz a violência e segue prendendo gatunos de colarinho branco, ou, para regozijo do PT, corre o risco de findar seu reinado no primeiro mandato.

Suas idas e vindas não indicam com clareza a senda que pretende tomar, tampouco firmeza de decisões. Mas, sem dúvida, a escolha do sufeta de Curitiba, Sergio Moro, como comissário da Justiça sedimenta duas de suas prioridades da campanha eleitoral.

Enfim, resta que o sucesso do bolsonarismo repousa em dois novatos nas lides da Máquina Federal: Paulo Guedes e Sergio Moro. Sem contar, claro, os membros do insaciável Poder Legislativo. Mas isto, como escrevi acima, é outra história.

 

* Itamar Garcez é jornalista

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