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Mirem-se em Hillary Clinton

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A candidata derrotada nas eleições que elegeram o 45º presidente dos EUA venceu seu opositor em número de eleitores. Hillary Clinton conquistou quase 2,9 milhões de votos a mais, mas o eleito foi o megaempresário Donald Trump.

Esta diferença representa cerca de 2 pontos percentuais do total de eleitores que foram às urnas em novembro de 2016. Como nos Estados Unidos a escolha final do presidente é exercida por um intrincado sistema, Trump teve mais delegados no colégio eleitoral e sagrou-se vencedor.

A regra pode parecer estranha, mas é constitucional. E funciona há mais de 200 anos. A maior potência econômica e bélica do mundo é também uma das mais sólidas democracias do planeta.

Hillary Clinton mostrou respeito ao País e às leis comparecendo à posse de Trump. Ombro a ombro com a candidata preferida dos norte-americanos estava o marido e ex-presidente dos EUA, Bill Clinton. “Estou aqui hoje para honrar a democracia”, registrou ela no Twitter:

tweet_hillary

Para vencer, Trump valeu-se das fake news – mais ou menos como o estelionato eleitoral da mandatária brasileira na reeleição em 2014. As regras estabelecidas, porém, indicaram-no como o homem mais poderoso do mundo pelos próximos quatro anos.

Aqui, diferente de lá, vivenciamos uma democracia incipiente. Entre idas e vindas, intercalamos períodos democráticos com longos interregnos autoritários.

Desde 1985, apesar dos sobressaltos, vivemos num país livre. O voto é secreto e universal, o Parlamento e o Judiciário são soberanos e independentes, a imprensa é livre, a cidadania manifesta-se do que jeito que lhe aprouver.

Tendência antidemocrática

A postura da esquerda, PT à frente, de não respeitar a deposição constitucional da presidente Dilma Rousseff e a assunção do vice-presidente Michel Temer, mais do que ressentimento e incapacidade de justificar seu desgoverno revela o caráter antidemocrático da sigla. Nada de muito estranho, pois são históricas as inclinações autoritárias da sinistra.

Dilma caiu porque fraudou o erário da União, porque o Congresso Nacional soberanamente assim decidiu, porque a Suprema Corte assegurou a plena legalidade do processo de impeachment. E porque a maioria da população desejava vê-la afastada do comando da República.

Além disso, a mandatária provocou a maior recessão econômica da história republicana e jogou milhões no desalento. Por fim, esquivou-se de apurar malfeitos no seu quintal.

O viés parcial e tendencioso da sinistra revela-se em sua história. Acolá, apoiando e inspirando-se em regimes liberticidas. Aqui, conspirando para derrubar mandatários eleitos valendo-se do mesmo recurso que agora oportunisticamente condena, o impeachment.

A deposição de 2016, porém, é diferente das tentativas anteriores patrocinadas pela sinistra. Desta vez, havia a conjugação de uma presidente que violou a Constituição e uma população enojada da inédita rapinagem do dinheiro público.

Sem outro recurso, a sinistra foge do debate honesto por impossibilidade de confrontá-lo. No fundo, a sigla busca no discurso fraudulento lenitivo ao declínio.

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