Brasil

A Venezuela ficou mais próxima após a demissão de Pedro Parente

Entre as muitas consequências da greve dos caminhoneiros, provavelmente a mais previsível é o efeito negativo da intervenção na Petrobras nos moldes apregoados pelo Governo Federal. Sob os auspícios do Parlamento, o modelo venezuelano de intervenção estatal aparece na forma de uma antiga peça publicitária dos anos 1980, a da vodca Orloff: “Eu sou você amanhã”. https://www.youtube.com/watch?v=038jv7crrUU A PDVSA, sustentáculo econômico do chavismo, simulacro de democracia, afunda. Sentados sobre 297 bilhões de barris de petróleo, a maior reserva do mundo, a estatal que sustenta Nicolás Maduro e seus milicianos não figura sequer entre as 10 maiores produtoras mundiais – o Brasil está à frente dos hermanos. De 2016 até hoje, a PDVSA, reduziu sua produção diária de 2,5 milhões de barris para 1,5 milhão/dia. Falta dinheiro para investimentos. O governo do empobrecido vizinho brasileiro interfere diretamente na sua petrolífera. Não podia dar certo. Não dá certo. Impulso populista Eis onde a esquerda conservadora e a direita nacionalista brasileiras se encontram. Ambas acreditam no exclusivo poder do Estado para promover o desenvolvimento. Dentre seus militantes há aqueles que realmente (ou ingenuamente) acham que o Estado detém o monopólio para promover o bem. Empresários, para aquelas greis, são eternamente malvados e exploradores da classe operária. Operários, por seu turno, são sempre bonzinhos e plenos de boas intenções. Há, também, os que sabem que o Estado gigamenso é terreno espaçoso para a rapinagem. Quanto mais Estado, mais poder têm os governantes e a burocracia estatal. Logo, há mais espaço para a roubalheira e a dominação. Sobejam exemplos, como os do leste europeu do século XX. O governo Michel Temer, que começou com roupagem liberal, por pressão externa e debilidade interna foi cedendo espaço ao intervencionismo. Nesta toada, sobrará, ao final de seu mandato-tampão, ter retirado o Brasil da recessão provocada pela antecessora. Importante, […]

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Responsáveis por uma das paralisações mais efetivas da história brasileira, caminhoneiros são alvos de teorias que os classificam como idiotas. De acordo com estas análises, eles não teriam capacidade de articulação e, portanto, estariam sendo manipulados por forças ocultas. Trata-se do hábito de politizar a origem de tudo. Por ele, nada pode ter origem despolitizada. Confunde-se causa com consequência. Se os caminhoneiros pararam é porque foram manipulados por patrões, é uma das conclusões. Depreende-se, deste raciocínio, que a maioria deles têm carteira assinada e férias remuneradas. A redução dos custos dos fretes interessa a ambos, donos de transportadoras e caminhoneiros autônomos. Cada vez que o acuado Governo Temer cedia, aqueles dois ganhavam. Prejuízo na boleia Levantamento do Estadão impresso de 28 de maio aponta que, de 1,088 milhão de caminhões de empresas transportadoras, apenas 29,2 mil (2,7% deste contingente) estão nas mãos de 10 companhias. O restante, a grande maioria, é composto por pequenas empresas com até 5 funcionários. O Estadão contabiliza ainda que 554 mil, de 1,66 milhão de caminhões da frota nacional, são veículos autônomos. As fontes do matutino são a CNT e ANTT. A situação financeira dos profissionais da boleia, a demonstrarem vídeos que circulam pela internet, era de calamidade. Depois de pagarem todas as despesas não sobrava o lucro, motivação que leva motoristas a se aventurar nas rodovias brasilianas. A jornalista Josette Goulart acompanhou as conversas de caminhoneiros em grupos de WhatsApp. “Desde quando autônomo tem sindicato”, protestou um deles, numa pergunta retórica. http://piaui.folha.uol.com.br/falta-combinar-no-whatsapp/ “Acabou coisa nenhuma [sobre a greve]. Esse sindicato não vale nada”, escreveu outro sobre reunião entre os prepostos de Temer e sindicalistas engravatados. Referia-se ao acordo no Palácio do Planalto na noite de quinta, 24, que mirava o fim à greve. Após o efeito estrondoso da paralisação, acompanhada de ações de guerrilha […]

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Muitas são as razões pelas quais as pessoas aspiram ingressar na vida pública, mas poucas são efetivamente meritórias e republicanas. As motivações podem ser classificadas em positivas e legítimas e não-constitutivas. Entre as motivações louváveis, podemos destacar a defesa do interesse público, a promoção das pautas das minorias (que envolvem gênero, raça, mulheres, índios, etc), a defesa de causas específicas (meio ambiente, consumidor, usuário de serviço público, etc) ou mesmo a promoção de valores, desde que não deponham contra a vida. Entre as motivações questionáveis e até condenáveis, podemos destacar a busca de mandato apenas por vaidade, por ressentimento, por ser celebridade ou endinheirado ou para ganhar foro privilegiado. Entretanto, seja qual for a motivação, para que tenha chances reais de eleição, além de boa estratégia de marketing e de boa estrutura de campanha, o candidato precisa contar com pelo menos 4 das condições a seguir: ter serviços prestados à comunidade na qual pretende disputar; liderar segmentos organizados (sindicato, igreja, grupo empresarial etc); dispor de recursos para cobrir parte dos gastos de campanha; possuir base geográfica definida ou base eleitoral; dispor de máquina partidária, governamental, sindical, empresarial etc; possuir notória especialização, ser celebridade ou personalidade do mundo acadêmico, das comunicações, empresarial, esportivo, cultural, artístico ou religioso, etc; ter aliados (cabos eleitorais) com forte prestígio na circunscrição do pleito; contar com o engajamento do partido ou apoio dos candidatos majoritários, no caso de eleição proporcional; produzir bons programas de rádio e de televisão e utilizar bem as redes sociais; ter seguidores e uma boa inserção nas redes e mídias sociais; e ter boa reputação, principalmente nos aspectos ético e moral. Além disso, o candidato, para ser bem sucedido, deve ter domínio  sobre os temas de sua plataforma de campanha ou programa de governo e conhecer minimamente a Constituição Federal e a […]

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