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As eleições de 2018: partidos demais, candidatos de menos

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A velha política desfruta de uma trágica abundância de partidos, mas na hora da eleição está buscando candidatos a laço. A histeria em torno do nome do apresentador de TV Luciano Huck como candidato à Presidência em 2018 – cujo bom senso e peso de sua vida o fizeram desistir – dá a dimensão do fenômeno: temos partidos demais e candidatos de menos.

Antes de fazer um raio X da situação, devemos lembrar como chegamos a tal ponto. Uma brutal leniência dos partidos tradicionais fez com que a criação de novas legendas virasse um negócio político em que partidos pequenos vendem seu tempo de TV e suas vagas de candidato a projetos políticos de caciques.

A tragédia republicana que vivemos existe por culpa de nossas elites políticas e, por conseguinte, de nós próprios, que toleramos essa situação. E, pior de tudo, um horizonte de transformação está longe. A cláusula de barreira vai entrar nas campanhas de forma lenta e gradual só a partir do ano que vem.

PT, PSDB, PMDB: jogo de cartas marcadas

Outro ponto central para a questão de termos partidos demais e candidatos de menos é que as grandes legendas são controladas por lógicas próprias. E elas excluem políticos novos. O PT, de verdade, nunca deixou que qualquer liderança questionasse o domínio do ex-presidente Lula. Todos que se insurgiram contra essa regra foram escanteados. Agora, caso Lula fique no sereno, terá dificuldade de arrumar um substituto.

O PSDB é um clube restrito onde cinco ou seis dão as cartas. Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, entrou no clube a convite do ex-governador Mário Covas. Marconi Perillo, governador de Goiás, atraído por Fernando Henrique. João Doria, prefeito da capital paulista, arrombou a porta com as ferramentas de Alckmin. O senador Aécio Neves (MG) também virou cacique com o poder de FHC.

Caso Alckmin seja inviabilizado para concorrer ao cargo de presidente da República, no âmbito das investigações que correm no Superior Tribunal de Justiça, os tucanos deverão recorrer a Doria. No PT, fala-se no ex-prefeito paulista Fernando Haddad. Deveriam ter investido no único petista que se saiu bem no naufrágio da turma da ex-presidente Dilma Rousseff: o ex-ministro José Eduardo Cardozo. Mas ele é considerado light demais para os padrões da legenda.

O PMDB tem o presidente Michel Temer. Por incrível que pareça, ele é o único que pode unir o partido, caso tenha condições de sair candidato e queira isso. Teoricamente, poderia. Seu nome seria viável. Mas, para superar sua falta de popularidade, teria de fazer mágica no campo da comunicação, algo que seu governo teima em manter inconsistente e ineficiente.

Coligação: a saída dos pequenos

Longe das três grandes agremiações, temos uma plêiade de partidos e de candidatos que ainda não se encontraram. Para os partidos médios, uma candidatura só fará sentido se o candidato for muito popular – ou potencialmente popular – e/ou se houver uma coligação que dê robustez ao tempo de propaganda gratuita na TV. Qual é o sentido de o DEM ou o PSD concorrerem sozinhos se não tiverem uma candidatura forte ou se não integrarem uma coligação?

Mesmo em meio a um cenário nebuloso, a campanha de 2018 pode revelar-se muito interessante e bem diferente das anteriores. A polarização PT x PSDB deve ser ameaçada por outros arranjos, ainda que ambos os partidos possam lançar candidatos competitivos. Contudo, será difícil repetirmos o cenário de 2014, quando nove partidos apoiaram a candidatura de Dilma Rousseff e igual número a de Aécio Neves.

Publicado n’O Tempo em 29/11/2017

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