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Por trás do “choque liberal” do PT, o risco da censura à imprensa

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Por trás da proposta aparentemente benfazeja de Fernando Haddad esconde-se um velho desejo do PT e um postulado de regimes autoritários: a censura da imprensa. Um dos possíveis postes de Lula às eleições presidenciais de 2018, o ex-prefeito propõe “regulamentação que aumente o pluralismo e a diversidade dos meios”.

Em entrevista aos jornalistas Ricardo Mendonça e César Felício na segunda, 23 de julho, Haddad acrescentou que “o foco é evitar concentração da propriedade, sobretudo propriedade cruzada”. Buscando um verniz democrático à iniciativa, disse que “queremos dar um choque liberal”.

https://www.valor.com.br/politica/5676907/haddad-propoe-punicao-tributaria-para-spread-alto

Cuba não é pluralista

Ampliar o número de proprietários dos meios de comunicação é, sim, saudável. A pluralidade incentiva a concorrência e inibe a manipulação.

Ganha o jornalismo profissional e a liberdade de informação, que inexiste em modelos controlados pelo Estado.

Afinal, quem vive do jornalismo não pode fazer como os blogs sujos, que divulgam apenas um lado da notícia e não abrem espaço ao contraditório. Na verdade, aqueles sites – que existem graças à internet e aos smartphones, invenções capitalistas – são ponta de lança da propaganda petista.

Quem conhece o PT sabe, na verdade, que o alvo da “regulamentação” é o controle da grande imprensa. Menos cautelosos do que Haddad, militantes petistas acreditam que, caso o controle já existisse, a sigla ainda estaria no poder.

Se o partido de Lula não o fez antes foi por pruridos democráticos de parte de suas lideranças e pela oposição da mídia profissional. Controlar a imprensa, no entanto, foi sempre um método de governos de esquerda.

Basta ver os exemplos hodiernos da Venezuela e de Nicarágua. Sem falar da ditadura cubana, que leva ao paroxismo o controle da imprensa. Todos modelos defendidos pela chamada esquerda.

Sem imprensa, sem democracia

A imprensa livre, com todas as suas parcialidades e tendenciosidades, é condição sine qua non à existência de regimes democráticos. Onde ela fenece, morre a democracia.

Com atávica tendência autoritária, a esquerda não pode prescindir deste controle. Sem ele, eternizar-se no poder é inviável.

O truque de Haddad é escudar-se num princípio liberal, o da livre e ampla concorrência, para implementar o projeto e abrir caminho à censura da imprensa. Basta uma comparação para constatar a diferença entre jornalismo e panfletagem.

Todos os grandes veículos de comunicação abrem rotineiramente espaço ao PT e partidos satélites. Lula não conseguiria reverberar sua pregação sem a veiculação que sempre teve na mídia profissional.

Quem fizer uma pesquisa vai encontrar capas de hebdomadários e matutinos favoráveis a Lula, ao MST etc. Bem como reportagens positivas às “causas” que a esquerda considera suas, como a diversidade de gênero e a defesa do meio ambiente.

Mesmo hoje, com a existência das redes sociais, nem PT nem Lula teriam a força que têm não fosse a reprodução diária de suas entrevistas e seus discursos. Ganham espaço até mesmo para atacar a própria mídia profissional.

PT-MBL X TV Globo

Um simples exercício comparativo evidencia a diferença dos grandes veículos de comunicação com os blogs sujos. Estes reproduzem apenas o que interessa “a causa”.

Aqueles divulgam ideias que lhes são contrárias, dando espaço para os que querem encabrestar a mídia profissional. Sim, não existe isenção no jornalismo. Mas não existe jornalismo sem o contraditório.

Outro parâmetro são os ataques vindos de lados opostos. Assim como o esquerdista PT, o direitista MBL ataca ferozmente a grande mídia. Um considera a imprensa “de direita”. O outro acha que os jornalistas são “todos de esquerda”.

Como demonstrou a Lava-Jato, o PT aliou-se (alia-se) com o que há de pior na política brasileira, lambuzou-se com dinheiro da corrupção, quase quebrou a Petrobras e a Eletrobras, jogou milhões de trabalhadores no desalento, produziu carestia e premiou empresários amigos com dinheiro público.

Quando vê refletida nas páginas dos jornais a face de seu declínio moral, rebela-se contra a realidade. Em vez de encará-la e refletir sobre seus erros, tenta quebrar o espelho.

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