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Possíveis recados do Centrão

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O Centrão, grupo de partidos de centro-direita com mais de 300 deputados, é o fiel da balança na Câmara. Enquanto o governo não constrói uma base, o bloco vem dando as cartas na Casa e agindo de maneira independente em relação ao Planalto.

A dificuldade de relacionamento entre o Centrão e o Executivo tem sido a marca desse início de legislatura. O grupo foi associado pelo presidente Jair Bolsonaro à chamada “velha política”, praticada com base no tradicional “toma lá, dá cá”.

O bloco patrocinou a derrubada do decreto que permitia a funcionários comissionados classificar documentos públicos como sigilosos e a aprovação da PEC que torna obrigatória a execução de emendas orçamentárias de bancadas estaduais. Na semana que passou, o grupo assistiu passivamente à blitz da oposição ao ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Caso o governo não consiga uma reconciliação com o bloco, pode haver retaliações de diversas formas, em especial durante os trâmites da Previdência. Uma delas pode surgir já na CCJ. Os centristas podem fazer corpo mole, oferecendo espaço à oposição para alongar a discussão e atrasar o andamento da proposta. Já na etapa da Comissão Especial, existem alguns expedientes, a começar pela formação do colegiado. Os líderes podem, por exemplo:

  1. Demorar a designar os membros, o que naturalmente atrasa a instalação da comissão;
  2. Indicar deputados menos alinhados ao governo.

Após a instalação da comissão, os deputados do bloco podem ainda:

  1. Apoiar a apresentação de emendas potencialmente danosas;
  2. Propor convites a especialistas com visão crítica à reforma na fase de audiências públicas;
  3. Não oferecer apoio aos representantes do governo durante os debates;
  4. Votar contra o parecer do relator (caso este seja governista);
  5. Apresentar ou votar a favor de destaques para alterar o texto-base.

Tudo isso sem contar a etapa de plenário, que comporta outras inúmeras manobras possíveis para dificultar a vida do governo. Daí a importância de distensionar a relação em definitivo e buscar uma composição com o Centrão.

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