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Série resultado das Eleições 2018: a campanha presidencial

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As eleições gerais de 2018, realizadas num clima de conflagração e de forte rejeição ao sistema político e suas práticas, foram atípicas e se deram num ambiente de renovação, com elevada intolerância aos agentes públicos em geral. Polarizada entre Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, do PT, a eleição presidencial foi decidida em segundo turno com o sufrágio do candidato do PSL.

O 1º turno apresentou ao eleitor 13 opões de candidaturas – Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Alvaro Dias (PODEMOS), Marina Silva (REDE), João Amoêdo (NOVO), Cabo Daciolo (Patriota), Guilherme Boulos (PSol), João Goulart Filho (PPL), José Maria Eymael (DC), Vera Lúcia (PSTU). O 2º turno foi disputado pelos candidatos do PSL e do PT, tendo sido vencido por Jair Bolsonaro com 57.979.466 (55,13%) votos contra 47.040.859 (44,87%) dos votos destinados a Fernando Haddad.

Resultado do 1º turno da eleição presidencial

Candidato Partido/Coligação Votos Percentual
Jair Bolsonaro PLS – PRTB 49.277.010 46,03%
Fernando Haddad PT-PCdoB-Pros 31.342.051 29,28%
Ciro Gomes PDT –Avante 13.344.371 12,47%
Geraldo Alckmin PSDB-PTB-PP-PR-DEM-SD-PPS-PRB-PSD 5.096.350 4,76%
João Amoêdo Novo 2.679.745 2,50%
Cabo Daciolo Patri 1.348.323 1,26%
Henrique Meirelles MDB-PHS 1.288.950 1,20%
Marina Silva Rede-PV 1.069.578 1,00%
Alvaro Dias Pode-PRP-PSC 859.601 0,80%
Guilherme Boulos PSol-PCB 617.122 0,58%
Vera Lúcia PSTU 55.762 0,05%
José Maria Eymael DC 41.710 0,04%
João Goulart Filho PPL 30.176 0,03%

Três fatos políticos tiveram influência no resultado da eleição presidencial: a) o ativismo do Judiciário e do Ministério Público, especialmente na tentativa de criminalização do PT; b) a prisão de Lula, que seria o candidato do PT e teve que ser substituído por Fernando Haddad; e c) a facada no candidato Bolsonaro, que ficou impedido de participar de quase toda a campanha.

Esses episódios ou fatos políticos facilitaram a   estratégia de campanha de Bolsonaro, que consistia mais em apontar supostos erros dos governos anteriores, especialmente do PT, do que apresentar alternativas. De um lado, o ativismo judicial e a prisão de Lula favoreciam seu discurso, e, de outro, ficar fisicamente fora da campanha, em certa medida, o blindado das inconsistências de suas “propostas”, além de não o impedir – mesmo estando num quarto de hospital – de falar ao vivo com seus potenciais eleitores via redes sociais.

O candidato vencedor centrou sua campanha na desqualificação do sistema político e de suas instituições, das esquerdas e das políticas públicas em favor das minorias, como as quotas, os benefícios aos quilombolas e aos presidiários (auxilio-reclusão), responsabilizando-os por tudo de mau que acontecia ao País. Foi o candidato anti-sistema.

Seu método de campanha consistiu em identificar problemas, que incomodam a todos, apontar os governos anteriores, especialmente o PT, como supostos culpados por esses problemas, e prometer punição ao supostos culpados, mas sem apresentar uma solução para tais problemas.

A tática do ataque, em substituição à apresentação de programa, foi eficaz porque atingiu, em cheio, os três principais grupos de eleitores: os bolsonaristas, os desalentados e os petistas. Mobilizava os dois primeiros em seu favor ou contra os supostos responsáveis pela suposta deterioração do País, além de atrair o terceiro grupo para a briga, deixando a disputa no campo ou na arena em que lhe era mais favorável.

A estratégia encontrou ambiente fértil. Uma enorme crise fiscal do Estado, um excesso de demandas da sociedade, o aumento do desemprego, da criminalidade e da violência, uma população desalentada e com medo, e, acima de tudo, a facilidade para disseminar um discurso que aponta os supostos responsáveis por tudo isso: o sistema político e os partidos que tinham sido governo nos últimos 20 anos.

O discurso “contra tudo que está ai”, sem dizer o que pretendia colocar no lugar, funcionou para o candidato vencedor em duas dimensões. A primeira porque havia coincidência de diagnóstico com a maioria da população – insatisfeita com a insuficiência e má qualidade dos serviços públicos, com a criminalidade, a corrupção, o desemprego e a violência – e a segunda porque “saciava” o desejo de vingança de parcela significativa da população em relação aos supostos culpados por esse estado de coisas.

Eleitoralmente funcionou, mas há serias dúvidas se vai funcionar no governo. A população, desde as jornadas de junho de 2013, não está mais disposta a aceitar como éticas, legitimas ou sustentáveis políticas governamentais que punam ou ignorem suas demandas por melhores condições de vida. Se não tiver suas expectativas atendidas, a população vai se sentir traída e vai reagir, acusando o governo de estelionato eleitoral, com possíveis manifestações de protestos.

 

(*) Jornalista, consultor, analista político, diretor de Documentação do Diap e Sócio-Diretor da Queiroz Assessoria.

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