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Temer acerta na política e economia

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O presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), registrou dois importantes acertos nos primeiros dias do novo governo: 1) a montagem da equipe ministerial, que está proporcionalmente bem distribuída em relação ao peso dos partidos no Congresso; 2) a escolha da equipe econômica, que agradou o mercado, fato importante para gerar confiança e facilitar a atração de investimentos, fundamental para a recuperação da economia.

Conforme podemos observar na tabela abaixo, a distribuição proporcional de poder entre os partidos na Esplanada dos Ministérios é um fator que, além de garantir maioria nominal para o governo Michel Temer na Câmara e no Senado, tende, teoricamente, a facilitar a aprovação dos projetos que serão enviados pelo Palácio do Planalto para o Congresso. Vale recordar que na Era PT, uma crítica bastante comum era que o peso do PT nos ministérios era desproporcional ao seu peso no Legislativo, o que deixava muitos aliados insatisfeitos.

Tabela: distribuição proporcional de poder entre os partidos na Esplanada.
Tabela: distribuição proporcional de poder entre os partidos na Esplanada.

Na arena política, outro acerto de Temer foi a escolha de muitos ministros que, além de serem ou terem sido parlamentares, foram indicações partidárias.

Na economia, a equipe anunciada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sinaliza um alinhamento na política econômica. Também mostra a autonomia de Meirelles nessa área.

O presidente do Banco Central (BC) será o economista Ilan Goldfajn, que atuava até então como economista-chefe do Itaú-Unibanco. Meirelles e Goldfajn trabalharam juntos no BC, durante o governo Lula, quando Goldfajn foi diretor de política econômica (2000-2003). Ilan Goldfajn é visto no mercado e no mundo acadêmico como um economista competente, capaz de manejar muito bem a política monetária e o câmbio.

O secretário de Acompanhamento Econômico será Mansueto de Almeida Júnior, considerado um economista muito respeitado por ser um profundo conhecedor das contas públicas. Carlos Hamilton será o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Ele já foi diretor de Política Econômica do Banco Central.

Marcelo Caetano vai ocupar a recém-criada Secretaria da Previdência, lioga à Fazenda, em substituição ao Ministério da Previdência. Ele é um especialista em cálculos sobre riscos e expectativas, o que é importante para definir regras de aposentadoria. Foram mantidos nos cargos Jorge Rachid (secretário da Receita Federal), e Otávio Ladeira (secretário do Tesouro Nacional).

Por ter um pensamento econômico alinhado, o diagnóstico da nova equipe econômica é que o controle do gasto e a eficiência no uso do dinheiro público é fundamental. Por isso, o novo governo optou por reconhecer o tamanho do rombo nas contas em 2016 (superior aos R$ 100 bilhões) para propor uma nova meta fiscal, que precisará ser aprovada pelo Congresso.

Outro consenso na equipe econômica é a necessidade de o país realizar a reforma da previdência.

Mesmo com grandes desafios pela frente, o governo Michel Temer acertou em seus primeiros movimentos. Apesar de algumas críticas, a equipe ministerial está bem montada, considerando a representação partidária. E a equipe econômica já começa a ganhar a credibilidade do mercado, fundamental para a volta dos investimentos.

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