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Temer não vence de goleada, mas se consolida como presidente

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Em meio a uma longa interinidade, que completou mais de 60 dias e ainda deve ter quase 50 pela frente, Michel Temer avançou mais algumas casas para consolidar-se como presidente. Ainda que não esteja vencendo de goleada, segue de forma consistente para confirmar, ainda em agosto, sua permanência na Presidência. Informações de bastidores indicam mais de 58 votos a favor do impeachment e a existência de um sentimento: a presidente afastada Dilma Rousseff perde densidade política dia a dia.

Na semana passada, o presidente em exercício recolheu algumas vitórias importantes. A maior delas ao emplacar o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara. Foi a vitória de um projeto mais programático alinhado entre setores de PMDB, PSDB, DEM e PPS contra governistas mais clientelistas. Cabe agora evitar, o que não será difícil, que os derrotados queiram se vingar. Como todos estão solidamente instalados como aliados no governo, seria arriscado contrariar um presidente que se mostra cada vez mais poderoso.

Com a presença de Rodrigo Maia, o governo ganha tranquilidade para debater sua agenda no Congresso a partir de um discurso institucional há muito perdido.

Imediatamente após a vitória de Rodrigo Maia, a aliança PMDB-PSDB-DEM propôs a limitação do número de partidos políticos em uma espécie de relançamento da reforma política. Nesse sentido, a emenda constitucional propondo cláusula de desempenho para os partidos já foi apresentada. Temer, Maia e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se encontram nesta semana para debater o tema.

Depois de aumentar o Bolsa Família e retomar o programa Minha Casa, Minha Vida, Temer prosseguiu avançando nas áreas que, segundo Dilma Rousseff, ficariam ameaçadas se ela deixasse a Presidência. O Ministério da Educação aumentou em 50% a dotação prevista para os contratos do Fies, bolsas de ensino para estudo superior. Os dois movimentos de Temer indicam que ele conseguiu ampliar o controle sobre a agenda política na Câmara e desmontam o discurso de que seu governo seria antissocial.

Outros indicadores positivos estão nas pesquisas de opinião. Levantamento do Ibope realizado para o governo, no início da semana passada, constatou que 16% dos entrevistados consideram o governo Temer “bom” e “ótimo”, e 39%, “regular”. São dados superiores aos apurados duas semanas atrás. O Datafolha divulgado nesse fim de semana informa que 50% dos brasileiros preferem Temer a Dilma e que 18% não querem nenhum dos dois. Defendem o retorno de Dilma 32% dos entrevistados. Considerando as circunstâncias, ter a preferência de 50% dos brasileiros é um excelente resultado.

Dilma, além de não ter avançado, escorrega em sua mediocridade. Sem discurso e sem narrativa, chegou a apelar, caso retorne à Presidência, para a possibilidade de manutenção da equipe econômica de Temer.

Nos últimos 60 dias, Dilma não conseguiu justificar minimamente por que deve voltar à Presidência. Paradoxalmente, ainda tem o apoio de 36% dos eleitores, percentual que tende a cair à medida que as boas expectativas em torno da economia, que já começou a melhorar, se intensificassem.

Para as próximas semanas, a agenda de Temer estará concentrada nas medidas que devem ser anunciadas nos setores elétrico e petroleiro, bem como na esfera de concessões. No campo político, a Comissão do Impeachment continua seus trabalhos mantendo a previsão de votação do processo definitivo no final de agosto.

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