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ESPECIAL: Lula/2018, com ou sem?

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Há uma série de incógnitas cercando a disputa eleitoral de 2018. A primeira envolve o ex-presidente Lula (PT), que, embora desgastado com as investigações da Operação Lava-Jato, lidera as pesquisas de intenção de voto e hoje teria uma vaga muito bem encaminhada no segundo turno. E pela primeira vez desde 1994 há espaço para se romper a polarização entre PT x PSDB, padrão nas últimas seis eleições.

Apesar do impasse jurídico, Lula está no páreo

Como Lula pode ser condenado em segunda instância por um colegiado, caindo na Lei do Ficha Limpa, há o risco de o ex-presidente ficar juridicamente impedido de concorrer. Mesmo que setores do PT falem em recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele concorra amparado em um recurso, é pouco provável que uma manobra jurídica dessas prospere.

Não podemos descartar a possibilidade de o ex-presidente desistir de ser candidato. Isso poderá ocorrer se Lula avaliar que disputar novamente a Presidência não é politicamente vantajoso para os seus interesses e os do PT. No entanto, caso reúna condições jurídicas de ser candidato, a tendência é que o partido “empurre” Lula para a disputa.

Ainda que a elevada rejeição ao ex-presidente seja um obstáculo a uma nova vitória, o capital político que Lula preserva (cerca de 1/3 dos votos) possibilitaria ao PT impedir uma redução expressiva de sua bancada de deputados federais, estaduais e de senadores. Lula também é importante para a campanha dos petistas que concorrerem a governador, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

Lula 2018

Com Lula no jogo, nomes de centro-esquerda, como o da ex-senadora Marina Silva (REDE-AC) e o do ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE), perdem espaço, pois dependem da ausência do ex-presidente para sonhar com uma ida ao segundo turno, aproveitando-se da falta de alternativas viáveis por parte do PT.

Sem Lula a esquerda se fragmenta

Embora o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT) sejam mencionados internamente como “plano B”, nenhum deles tem a densidade eleitoral do ex-presidente. Como consequência, sem Lula na disputa, Marina e Ciro travariam uma queda de braço pela preferência do eleitorado de centro-esquerda para depois sonhar com uma vaga no segundo turno.

Ou seja, o cenário político de 2018 será com Lula e ou sem o ex-presidente. Caso Lula dispute o Planalto, além da considerável chance de o PT chegar ao segundo turno, deveremos ter uma eleição altamente radicalizada. Não apenas do ponto de vista político, mas também jurídico. Como Lula tem boas possibilidades de chegar ao segundo turno, haverá uma intensa disputa no centro-direita pelo espaço “anti-Lula”.

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