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Rollemberg esconde o que faz de bom

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As eleições de 2014 transcorreram sob o signo da mentira. A presidente candidata assegurava aos quatro cantos que não havia crise, que um futuro promissor nos esperava. Os críticos apenas torciam para o quanto pior melhor. Nesse contexto, candidatos aos cargos executivos plantavam suas promessas certos de que, mesmo se houvesse crise, esta seria de dimensões administráveis.

Um mês depois de eleita, Dilma Rousseff reconheceu o colapso, cujas dimensões astronômicas acabaram por incluir recorde de desemprego, recessão profunda e prolongada, ameaça inflacionária, contingenciamento orçamentário, enfim, uma tempestade perfeita. O déficit recalculado pós-impeachment atingiu a R$ 140 bilhões.

Equilibrismo orçamentário

Com o orçamento do GDF 50% dependente de transferências da União em queda livre, acrescentava-se um rombo que, somados os déficits orçamentários as dividas e promessas do governo anterior atingiam R$ 6,5 bilhões. Obviamente as prioridades tinham de mudar e o novo governo dedicou-se a contornar o revés que se avizinhava, deixando os sonhos para segundo plano. O fantasma do Rio de Janeiro e do RGS nos ameaçava.

A despeito do que dizem seus oposicionistas, não faltou disposição ao governo do DF, que não cedeu ao populismo ou à demagogia: renegociou contratos, reduziu a máquina pública, desautorizou aumentos generosos e irresponsavelmente dados pelo governo anterior, aumentou impostos e corrigiu preços ícones para a demagogia barata, como o almoço nos restaurantes comunitários (de R$ 1,00 para R$ 3,00). Até o ingresso ao zoológico ficou mais caro. Enfim, levou-se ao limite o esforço para equilibrar as contas públicas, e o rombo foi reduzido a R$ 700 milhões de reais.

A despeito de tais circunstância, Rollemberg conseguiu realizar uma boa parte de sua pauta de campanha, coisa da qual poucos se dão conta.

Quando assumiu, 1. 11 dos 12 tomógrafos do DF estavam quebrados por falta de pagamento a assistência técnica. Hoje 11 estão em funcionamento.

2. Rollemberg entregou mais moradias do que qualquer outro governador do DF – inclusive Roriz.

3. Há 20 anos, Brasília espera um aterro sanitário para se livrar do vergonhoso lixão. Esse aterro foi inaugurado.

Problemas e soluções

O DF tem, 4. a maior favela da America Latina – o Sol Nascente – que o governo vem urbanizado celeremente.

5. Em 2015, entre 3% ou 4% das escolas do DF tinham horário integral; hoje são 44%.

6. Este ano, conseguiu creches para todas as crianças de quatro a cinco anos que se inscreveram, deixando déficit zero.

Política de invasões

7. Deu, enfim, credibilidade a uma política de combate a invasões irregulares de terras públicas, enfrentando-as onde quer que elas se dessem, no Recanto das Emas ou no Lago Sul.

8. Inaugurou um programa – “Cidade Limpa” – cujos resultados não são apenas limpeza urbana, mas se refletem em baixos índices de dengue e sensação de ordem em todos os lugares por onde passa.

Não se trata de uma folha de realizações desprezível, a ser esquecida. Tudo isso, além dos problemas orçamentários, com uma Câmara Legislativa hostil, onde não dispunha de nenhum deputado distrital de seu partido.

As avaliações de opinião pública, todavia, são muito críticas. Não espanta que isso aconteça perante uma agenda de medidas amargas necessárias, fenômeno observado também em relação ao presidente Temer e a muitos outros políticos que precisaram se ajustar às circunstâncias.

Mas há aspectos que não se pode deixar de registrar. A saúde publica, com graves problemas permanentemente iluminados pela mídia, a segurança, do mesmo modo e os serviços de transporte no mesmo tom. A opinião pública paga enorme pedágio a um déficit de informação sobre o conjunto das realizações, seu significado e sua importância. Restrição justificável antes, agora precisa ser enfrentada.

Avaliação justa depende de informação

A acusação de que o governador teria esquecido suas promessas de campanha traduz uma mentalidade progressivamente superada entre os cidadãos que – com o advento das redes sociais e suas mobilizações – já conhecem de longe as criticas oportunistas, o combate deletério e a agressão corporativa. No entanto, se os contribuintes não tomarem conhecimento do que se fez, não haverá como modular sua percepção.

Antes, a própria crise recomendava contenção de gastos publicitários; hoje é preciso que se entenda – informação é direito do cidadão, que precisa saber que se trabalha. Se a primeira metade do governo teve a função de ajustar as contas, a segunda deveria priorizar a informação, porque sem ela nenhum cidadão poderá fazer uma avaliação justa do que se tem pela frente.

Publicado no Correio Braziliense em 13/05/2017

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